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Universidades, escolas e rankings

Perfil Sabine Righetti é especialista em políticas de educação e ciência

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App mais baixado do que Tinder ensina a lidar com finanças pessoais

Por sabine
18/11/14 13:29

No ano passado, escrevi uma reportagem sobre algumas escolas particulares que oferecem disciplinas e esportes extra-curriculares bem inusitados para segurar os alunos pós-aulas regulares. Com pai e mãe trabalhando fora, e com empregado doméstico cada vez mais raro, quanto mais a escola oferecer, melhor para a família.

Entre iatismo, esgrima e interpretação de notícias, encontrei apenas uma escola bilíngue que oferecia um curso de “finanças pessoais”. A ideia era dar aos alunos uma noção de gastos pessoais e de como funciona o nosso sistema financeiro no Brasil. Ou seja: o ensino de finanças pessoais ainda é uma raridade nas escolas brasileiras.

Estou contando tudo isso porque conheci aqui nos Estados Unidos um dos criadores de um aplicativo que “ensina” os usuários a lidar com finanças, o GuiaBolso.com.br. E, adivinhem: o app está fazendo o maior sucesso e tem mais downloads do que o Tinder, famoso aplicativo de paquera on-line. Hoje, são 220.000 usuários.

Por que tanta procura? Simples: porque nós, brasileiros, não sabemos lidar com nosso dinheiro.

“Aprendemos química de alta complexidade no ensino médio, mas não aprendemos a lidar com um assunto com o qual lidaremos a vida inteira: as finanças pessoais”, diz Thiago Alvarez, um dos criadores da start-up responsável pela ideia –que nesta semana ganhou um prêmio de melhor start-up consolidada do Brasil– e meu companheiro de pesquisa aqui nos Estados Unidos.

QUÍMICA COMPLEXA

“Apesar de serem essenciais para todas pessoas viverem no mundo real, os princípios de finanças (juros, inflação e diversificação de investimentos) são ignorados por boa parte dos sistemas escolares não só no Brasil, mas em todo mundo.”

Não se trata de criar uma nova disciplina para as finanças –e nem é o caso de um curso extra. O ensino médio brasileiro já tem 12 cursos diferentes. Mas por que não incluir finanças pessoais nas aulas de matemática, por exemplo? Além de atrair o aluno para o uso de números no mundo real, essa prática pode render bons exercícios de cálculo de juros, por exemplo.

Isso já está sendo feito aqui nos Estados Unidos em alguns estados (aqui, o currículo é definido regionalmente). Mas no mundo todo as iniciativas são raras. O problema é que, no caso brasileiro, em que o cartão de crédito chega a ter juros de 241% ao ano, o consumidor desaviado e sem informação pode pagar muito caro (literalmente).

Alvarez tem alguns levantamentos sobre o cenário brasileiro. Sabe, por exemplo, que um em cada quatro usuários do app termina o mês no cheque especial, ou seja, gasta mais do que tem na conta e pega emprestado um dinheiro extra do banco mensalmente –a um juros de cerca de 9% ao mês.

E quem aí sabe calcular quanto significa, no bolso, 9% de juros ao mês?

Pois é. Quanto mais informação financeira tivermos, melhores serão as nossas decisões. Por que, então, não discutir finanças na escola?

 

Esse post foi escrito da Filadélfia, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio de Eisenhower Fellowships.

"O problema é que se eu estudar matemática não terei namorada"

Por sabine
16/11/14 01:28

Imagine que seu país seja o último colocado em uma avaliação internacional importante de matemática. Agora pense que você precisa resolver esse problema. O que você faria?

Estamos falando do Peru, último na lista de 65 países avaliados em matemática pelo último exame internacional Pisa, de 2012. O país tem 368 pontos no quesito –bem abaixo da média (que é 494). Para se ter uma ideia, a China, que lidera a lista, tem 613 pontos. O Brasil está um pouco na frente do Peru, em 57 lugar, com 391 pontos.

O Peru piorou na avaliação: no Pisa de 2009, ainda ganhava do Azerbaidjão e do Quirguistão (a avaliação é feita a cada três anos). Em 2012, foi para o final da lista.

O que fazer?

O governo do Peru tem discutido essa questão com alguns especialistas em educação e com consultores há alguns anos. Entre eles está Alvaro Delgado, que é consultor de inovação do Grupo Apoyo e, atualmente, faz parte do meu grupo de pesquisa de inovação aqui nos Estados Unidos.

A primeira reação diante do trágico desempenho com os números foi: vamos mudar os currículos! Mas, pergunta: é o currículo que precisa ser alterado?

Delgado –que é extremamente criativo, artista e também trabalha como produtor– fez parte de um grupo que sugeriu uma investigação in loco com os aluninhos peruanos. Afinal, qual é o problema com a matemática? É difícil de entender? É chato? É mal explicado?

SEM NAMORADA

Para surpresa geral, a resposta mais comum dos estudantes foi algo do tipo: “se eu estudar matemática, não vou arrumar uma namorada.” Ou seja: a percepção de matemática dos estudantes peruanos –e, arrisco dizer, dos alunos latinos em geral,– é extremamente negativa. No lugar de ser associada com solução de problemas, criatividade, construção, engenharia e afins, a matemática é tida como um obstáculo à vida social promissora.

Trata-se de uma percepção muito diferente da encontrada em países asiáticos que, surpresa, lideram o ranking de matemática do Pisa. Na China, por exemplo, números são associados às engenharias e às atividades bancárias, que são bem remuneradas. Significam uma chance real de ascensão social em um país extremamente competitivo. As possibilidades de se arrumar uma namorada ou um namorado indo bem em matemática aumentam!

Mas como, então, mudar a percepção de matemática do Peru? Para Delgado, isso só será possível por meio de arte e de criatividade. É preciso mostrar aos estudantes peruanos a parte divertida e construtiva da matemática. É possível ser “cool” lidando bem com os números.

O Grupo Apoyo, liderado por Delgado, está diretamente envolvido com o programa peruano “Matemática para todos”, que tem o objetivo de ensinar matemática por meio de jogos, de comunicação, de vídeos, de maneira divertida. Vai dar certo? Ainda não dá para saber, pois uma intervenção assim, em educação, leva alguns anos para mostrar resultado.

Mas a iniciativa é muito importante. Um país só consegue se desenvolver se tiver alunos envolvidos com os números. É preciso muita matemática e muita ciência para desenvolver novas tecnologias, para construir infra-estrutura parruda, para desenvolver uma indústria competitiva internacionalmente, para criar soluções de peso em problemas em todas as áreas –ambiente, saúde, transporte, energia.

No Brasil, há iniciativas bacanas, como as Olimpíadas Brasileiras de Matemática, promovidas pelo Impa (os premiados, aliás, serão anunciados em dezembro –leia aqui). Mas o que o governo está fazendo nacionalmente para atrair os seus estudantes para matemática na sala de aula, para subir umas casas no Pisa e para conseguir ter uma base intelectual sólida para o desenvolvimento? Qual é o problema com a matemática no Brasil?

Eu, infelizmente, não tenho respostas.

 

Esse post foi escrito da Filadélfia, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio de Eisenhower Fellowships.

 

Educação só funciona se aluno estiver emocionalmente envolvido

Por sabine
31/10/14 00:28

Pergunta: você consegue citar, num piscar de olhos, um professor ou uma experiência que tenha marcado profundamente a sua experiência na escola? Se não consegue, não se preocupe: você faz parte de um enorme grupo de pessoas que passou por uma escola em que professor, aluno e conteúdo não conseguem se conectar.

O problema é que a educação nesse modelo simplesmente não funciona: vira um processo burocrático, árduo e complicado. Quem trata disso é a educadora finlandesa e consultora em educação Anu Passi-Rauste, especialista que conheci durante a pesquisa que estou fazendo nos EUA. De acordo com ela, a educação de qualidade é aquela que toca os alunos profundamente. Ou seja: o aluno estuda porque está motivado, emocionalmente engajado, vê lógica e utilidade naquilo que está aprendendo.

Lá na Finlândia, país com indicadores de educação invejáveis, os professores conseguem criar esse ambiente em sala de aula porque têm autonomia. Eles podem, por exemplo, decidir se vão ensinar matemática usando a lousa ou peças de lego, dependendo do perfil da turma que estão ensinando. Isso é possível porque as escolas têm recursos e os professores são altamente qualificados. Para dar aula em uma escola finlandesa é preciso ter graduação, mestrado e estágio docente. O professor ganha bem e é valorizado na sociedade. Todo mundo quer ser professor!

Em cenários adversos, como no Brasil, esse processo criativo e acolhedor em sala de aula também é possível. Já tratei disso quando contei a história da Jonilda Ferreira, professora de matemática de uma escola pública do sertão de Pernambuco que faz vaquinha e leva os alunos na pizzaria para ensinar fração. “Se não for assim, desenho fração na lousa e ninguém entende nada”, diz. Resultado? A cidade é campeã nacional em medalhas nas olimpíadas de matemática promovidas pelo Impa.  (leia mais aqui).

LIGAÇÃO AFETIVA

Quando conversei com os alunos da professora do Nordeste, eles demonstraram uma enorme ligação sentimental com a professora. E vice-versa. Jonilda atua como uma mentora dos seus aluninhos –o que, de acordo com a especialista finlandesa, é fundamental no processo de aprendizado. “Muita gente cita o nome de um professor específico quando pergunto sobre experiências marcantes na vida escolar”, conta.

Jonilda, claro, é exceção no Brasil. Ganha R$ 1,5 mil ao mês e conta que mal consegue pagar suas contas. Faz todo esse sacrifício por amor à educação.

A pergunta que fica: como construir um cenário educacional em grande escala de modo que todos os docentes tenham o perfil da Jonilda –com formação, estrutura e salários finlandeses?  A própria Passi-Rauste está tentando encontrar uma resposta.

A educação “personalizada” funciona na Finlândia porque lá há muito dinheiro e pouca gente (a população da Finlândia equivale à metade da cidade de São Paulo). Mas como criar escolas acolhedoras, com docentes autônomos e engajados, junto com alunos e com gestores, em um contexto em que é preciso educar mais de 50 milhões de estudantes, como é o caso do Brasil? Deixa a questão para debate.

 

Esse post foi escrito de Detroit, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com financiamento da Eisenhower Fellowships.

Na internet, PTistas e PSDBistas revelam incapacidade de debate

Por sabine
23/10/14 12:00

Tenho acompanhado com curiosidade as discussões acirradas entre PTistas e PSDBistas na internet, especialmente nas redes sociais. Boa parte dos comentários que leio abusa de adjetivos, desqualifica o adversário, mas pouco fala sobre proposições do candidato de sua preferência. Estamos passando longe de um debate de alto nível entre pessoas que pensam politicamente de maneira diferente.

Por que isso acontece? Simples: porque não somos treinados para debates.

Explico. Na formação escolar predominante no Brasil, de formato expositivo, o professor fala, o aluno ouve, decora e faz a prova. Ninguém é convidado a refletir sobre um assunto e a expor publicamente sua opinião. Mais: ninguém, na escola, é estimulado a expor os motivos pelos quais pensa diferente do colega.

Quem não sabe debater xinga

Não há, na nossa escola, um ambiente que construa um debate saudável, com base em ideias e em argumentos. Sem saber como fazer isso, encontramos uma única saída: desqualificar o adversário. Essa “técnica”, aliás, tem sido uma prática recorrente dos próprios candidatos nos debates que acompanhei recentemente.

O debate tampouco é promovido no ensino universitário do Brasil. Eu nunca acompanhei nenhum. Aqui nos EUA, onde estou nesse momento, os debates fazem parte da rotina dos estudantes desde os primeiros anos –eles debatem entre si e acompanham debates sobre um mesmo tema entre docentes. Em alguns casos, a plateia de estudantes vota no professor vencedor do debate–ou seja, naquele que melhor construiu sua argumentação com base em dados, em fatos e em informações expostas de maneira clara. Depois, os dois professores saem juntos com os alunos e vão tomar um café ou uma cerveja, sem mágoas ou ressentimentos.

No Brasil, a coisa é bem diferente. Quem aí nunca se deparou com a seguinte sequência nas redes sociais: a pessoa xinga o candidato adversário e critica as suas propostas, mas não comenta as propostas do seu próprio candidato? Basta navegar um pouco na internet para encontrar esse fenômeno. Será que isso acontece porque as pessoas desconhecem as propostas dos candidatos?

Mas se desconhecem, como, então, foi feita a a escolha do voto?

Pois é. Os programas de governo de todos os candidatos estão disponíveis na internet. Alguém aí leu essas propostas antes de expor sua opinião publicamente na internet? Alguém sabe detalhar as conquistas do seu candidato em administrações anteriores? Volto à pergunta: como, então, foi feita a a escolha do voto?

NAZISTAS?

O que mais me intriga é o uso de algumas palavras específicas nesses “debates” na internet. A palavra “nazista”, por exemplo. Já vi muita gente chamar Dilma Rousseff (PT) ou Aécio Neves (PSDB) de “nazista”. O próprio ex-presidente Lula usou esse termo nesta semana e causou repúdio da Federação Israelita de São Paulo. Eu mesma, que nem sou candidata, já fui chamada de “nazista” por alguns leitores neste blog.  Alguém aí sabe qual é o conceito por trás de “nazista”?

De acordo com Houaiss, “nazismo” é um movimento político e social alemão, fundado e liderado por Adolph Hitler (1889-1945), de cunho revolucionário e totalitário, fascista e antissemita. Qual é exatamente a ligação do PT ou do PSDB com o nazismo? Pois é: nenhuma.

Já vi também muita gente chamando Dilma de “lésbica” ou Aécio de “playboy”. Já vi gente criticando a aparência dos dois candidatos; Dilma muito carrancuda, Aécio muito irônico. Alguém me explica o que isso tem a ver com as propostas de governo e com sua capacidade de executá-las?

Em uma passagem rápida por uma rede social agora, enquanto escrevia esse post, encontrei palavras como “imbecil”, “idiota”, “ladrão”, entre outras que prefiro não escrever aqui. O que isso acrescenta ao debate?

ANALFABETISMO POLÍTICO

Há, ainda, outra característica comum nos debates em redes sociais: uma confusão generalizada dos papeis da prefeitura, do governo estadual e do governo federal. Se eu for PSDBista, por exemplo, vou dizer que tudo de ruim que acontece no meu estado é culpa do PT –mesmo que ele seja administrado pelo PSDB. Oi?

Sem saber o que cabe a cada gestor ou a cada partido, fica muito difícil cobrar resultados. E sem cobrar resultados, os políticos podem fazer o que eles quiserem. Precisamos todos colaborar para elevar o nível das discussões.  Quanto mais entendermos de política, melhor será o debate e a escolha dos nossos representantes.

 

Esse post foi escrito de São Francisco, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio de Eisenhower Fellowships.

Quantas universidades você visitou antes de escolher a sua?

Por sabine
23/10/14 00:51

Já me fizeram essa pergunta algumas vezes: quantas universidades você visitou antes de escolher a instituição na qual estudou? No meu caso, assim como acontece com a maioria dos brasileiros, a resposta não tem rodeios: nenhuma.

Fui estudar em uma universidade pública do interior de São Paulo sem saber o que o curso oferecia, como era o campus, quais eram as perspectivas de trabalho após formada e como a universidade estava colocada em relação às demais do país. Foi uma decisão completamente às escuras, com altíssima chance de dar errado. Por sorte, deu certo.

Aqui nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, um estudante de uma universidade de grande porte visita, em média, estima-se, de dez a 20 universidades antes de escolher onde estudar. Avalia tudo: o campus, a moradia estudantil, formas de financiamento (aqui todas as instituições são pagas) e até o perfil do egresso.

Isso é importante porque cursos iguais podem ter focos completamente diferentes dependendo da instituição.

Quer um exemplo? Os cursos de engenharia de Yale (Connecticut), Carnegie Mellon (Pitttsburgh) e Santa Clara (Califórnia), por exemplo, são completamente diferentes. O primeiro tem um foco mais executivo –saem de Yale grandes líderes de empresas  (e, de vez em quando, algum presidente dos EUA, como George W. Bush). Carnegie Mellon tende a formar aqueles que vão encabeçar pesquisa e desenvolvimento no setor privado. Já Santa Clara, sob o slogan “engenharia com uma missão”, tem um foco mais social e passagem obrigatória pelo Frugal Lab, que desenvolve projetos inovadores de baixo custo em países em desenvolvimento.

São perfis de cursos completamente diferentes. Quem visita essas universidades acaba descobrindo isso.

Durante a pesquisa que estou fazendo aqui nos EUA, encontrei alguns estudantes de ensino médio de passagem pelas universidades por onde andei para avaliar onde deveriam estudar. A maioria estava com os pais. Alguns tinham reuniões marcadas com professores e até com diretores de departamento das universidades. Faz parte da rotina desses profissionais conversar com os alunos em fase de tomada de decisão.

CALIFÓRNIA

Mas, claro, nem tudo é assim tão racional. Entre os critérios de escolha desses estudantes entram na conta fatores que não lá muito a ver com qualidade da escola –mas que podem impactar a produção acadêmica dos alunos. Muita gente pode escolher Santa Clara no lugar de Carnegie Mellon simplesmente porque a Califórnia é uma região mais agradável que a gélida e (na maioria das vezes) nublada Pittsburgh. Besteira? Não. O clima tem um impacto importante na produção acadêmica dos estudantes. Tem gente que simplesmente não consegue se adaptar em locais de muito frio e longas temporadas de neve.

E há outros critérios. Alguns estudantes preferem as escolas menores, com um ou dois cursos, por exemplo. Nessas instituições, a relação aluno-professor costuma ser mais próxima e os estudantes acabam formando uma espécie de “família”. Outros querem os campus universitários do tamanho de cidades, com prédios enormes afastados por áreas arborizadas.

Curiosamente, a pesquisa pregressa feita pelos estudantes de ensino médio dos EUA não resulta em menores taxas de evasão. Estima-se que 40% dos estudantes não terminem seus respectivos cursos nas universidades norte-americanas. O principal problema é financeiro –aqui nos EUA todas as instituições são pagas e, recentemente, as taxas estão subindo mais rápido do que a inflação do país.

Já no Brasil, conhecer os cursos e as instituições de ensino pode ser importante para reduzir as taxas de evasão locais, que giram em torno de 25% de evasão no ensino superior público –e chegam a 40% em cursos noturnos ou licenciaturas. Nas universidades brasileiras há pouca ou nenhuma mobilidade entre cursos da mesma instituição ou entre instituições. Um aluno que entra em engenharia na USP dificilmente consegue mudar para economia, por exemplo. Quem desiste da universidade no Brasil alega, em geral, que errou na escolha do curso ou da instituição.

Pois bem. Estamos entrando em época dos processos seletivos para as universidades do Brasil, como vestibular e Enem. Se você estiver pensando em fazer alguma universidade, já fez sua pesquisa para decidir onde estudar? Conte para o blog!

 

Esse post foi escrito de São Francisco, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio da Fundação Eisenhower.

 

Argentina e Costa Rica recebem mais alunos dos EUA do que o Brasil

Por sabine
17/10/14 06:00

O Brasil está no fim da lista de países para os quais os estudantes das universidades dos EUA –consideradas as melhores do mundo– viajam durante a graduação ou a pós. Só 1,4% dos alunos norte-americanos escolhem as instituições brasileiras para passar um período de estudos.

O destino preferido dos estudantes norte-americanos é o Reino Unido, com 12,2% do total de viajantes. Outros três países europeus –Itália, Espanha e França– aparecem na sequência. Um em cada quatro alunos dos EUA escolhe um desses países como destino de estudos.

As instituições brasileiras ocupam o 14º lugar da lista de destinos. O Brasil perde para países como Costa Rica (8º lugar), Argentina (11º) e Índia (12º). Os dados, de 2012, são do “Open doors report”, produzido recentemente pelo governo americano.

Para se ter uma ideia, cerca de 4 mil estudantes norte-americanos vieram para o Brasil em 2012.  Do outro lado da rota, o tráfego é mais intenso: 10,8 mil estudantes brasileiros foram estudar em instituições de ensino superior americanas no mesmo período. O Brasil é o 7º país que mais envia alunos aos EUA; o primeiro, disparado, é a China, com 235,6 mil alunos enviados para os EUA em 2o12.

Por que isso é tudo importante?

Bom, o intercâmbio é fundamental para desenvolver a ciência e a produção do conhecimento. Os dados do relatório americano sinalizam que estamos indo bem quando se trata de enviar alunos para fora, mas estamos recebendo pouca gente de escolas de ponta.

O problema, claramente, não é a língua portuguesa. Se fosse uma questão meramente de idioma, Itália e França, que ensinam em seus respectivos idiomas italiano e francês, não receberiam tantos estudantes norte-americanos –e a Austrália (7º lugar na demanda) estaria mais para cima da lista.

POUCO ATRAENTES

Ao que tudo indica, as instituições brasileiras simplesmente não têm interessado os estudantes dos EUA. Isso é um bem ruim.

O estudante estrangeiro é muito bem vindo e deve ser cativado. Ele traz novos problemas, novas soluções, traz possibilidades de parcerias e de trabalhos futuros. E, na maioria dos casos, pode trazer dinheiro para a universidade e para a região.

As universidades norte-americanas sabem muito bem disso –as instituições “top” dos EUA têm, em média, 20% dos alunos estrangeiros. A Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, cidade onde estou nesse momento, tem cerca de metade dos alunos vindo de fora. Para se ter uma ideia, os EUA recebeu 819,6 mil estudantes estrangeiros em 2012. É muita gente. Todos pagam taxas nas universidades, aluguel, alimentação e outros serviços.

Vamos comparar: na USP, a melhor do país, a quantidade de alunos estrangeiros não chega a 4%. A maioria vem do Peru e da Colômbia. Ou seja: estamos atraindo, na maioria das vezes, apenas a vizinhança.

CIÊNCIAS HUMANAS

Quase metade dos alunos que faz intercâmbio vindo dos EUA vem de ciências sociais, administração e humanas –o que ajuda a explicar a preferência por destinos como a França. Agora, o governo americano quer incentivar outras áreas do conhecimento a terem experiências fora do país e também quer aumentar a quantidade total de viajantes. Para se ter uma ideia, um total de 283,3 mil estudantes de universidades norte-americanas fizeram estudos em outros países em 2012 –isso é cerca de um terço do total de alunos estrangeiros que desembargaram nos EUA.

Uma das ideias, de acordo com Mary Besterfield-Sacre, da Universidade de Pittsburgh, que é estadual, é incentivar os alunos especificamente de engenharia a terem experiências no exterior. Hoje, apenas 3,9% de quem estuda fora dos EUA está matriculado em alguma engenharia.

“O intercâmbio é importante para que os alunos entendam que projetos de engenharia muito bem sucedidos aqui nos EUA podem não funcionar em outros locais do mundo. É preciso conhecer diferentes realidades.”

Pronto: temos aqui uma oportunidade para o Brasil.

As instituições brasileiras têm, sim, potencial para atrair estudantes estrangeiros inclusive nas engenharias: de acordo com Besterfield-Sacre, o setor energético do Brasil, por exemplo, é extremamente interessante para estudos. Ela própria já veio ao Brasil com um grupo de alunos para visitar o sistema de geração de energia hidroelétricas. Só que ela ainda é uma exceção por aqui. Que tal trabalharmos para esse tipo de visita se torna cotidiana?

 

Esse post foi escrito de Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio de Eisenhower Fellowships.

Presidenciáveis falam sobre redução de disciplinas na escola; entenda

Por sabine
15/10/14 01:16

Quem assistiu ao debate dos candidatos à presidência, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), nesta terça-feira (14), viu que a necessidade de redução de disciplinas no ensino médio foi mencionada, mas não foi explicada. Alguém sabe por que ter menos disciplinas é um dos assuntos da pauta de educação do país?

Hoje, o ensino médio brasileiro tem 12 disciplinas, como as tradicionais matemática, português, biologia e também cursos como sociologia e filosofia, que passaram a ser obrigatórios por lei a partir de 2008.

O que os especialistas em educação dizem é que ter tantas disciplinas assim faz com que os estudantes não consigam se conectar com nenhuma das disciplinas. E com nenhum professor. Ou seja: o professor entra, fala, sai e o aluno fica perdido no meio do conteúdo.

O resultado? É no ensino médio que estão os piores indicadores de educação do país.

As alternativas ao excesso de disciplinas são interessantes. Uma das propostas que o MEC estuda –mas que não foi mencionada no debate dos presidenciáveis– é a unificação de alguns cursos em grupos. Assim, história, geografia, filosofia e sociologia, por exemplo, ficariam juntas em “ciências humanas”. Outros grupos seriam “ciências da natureza”, “matemática e suas tecnologias” e “linguagens”.

É com essa divisão, aliás, que são dispostas as questões no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Há quem diga ainda que o ensino médio poderia ser ainda mais multidisciplinar. Desse modo, biologia e matemática, por exemplo, poderiam ser ensinadas juntas, misturando cálculo e botânica, por exemplo. O problema é que o professor de biologia é formado em uma licenciatura e, quem dá aula em matemática, faz outra licenciatura. Quem vai dar aula de um curso com formato multidisciplinar?

A formação de professores, aliás, vale dizer, nem passou pelo debate dos presidenciáveis. Também não ouvi nada sobre currículo comum nas diferentes etapas de ensino –hoje, o que se ensina na escola é baseado principalmente no conteúdo cobrado em exames como o Enem. Mais: os candidatos à presidência falaram sobre a importância do ensino em período integral, mas não explicaram como farão para ampliar a quantidade de horas de estudos dos estudantes.

‘GAP’ DO ENSINO MÉDIO

Discutir o ensino médio é especialmente importante no Brasil. Apenas 50% dos brasileirinhos que entram na escola simplesmente não terminam o ensino médio. Isso significa que um em dois estudantes do Brasil fica pelo caminho. Isso é grave demais.

O que se diz no Brasil e em outros países, como nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, é que o estudante desiste da escola quando não consegue mais acompanhar as aulas. Vai mal em algumas das muitas disciplinas, não recebe assistência, acaba se perdendo e desiste.

O aluno também desiste porque não vê perspectiva depois da escola, não enxerga possibilidades, oportunidades. Ou simplesmente acha a escola chata, fora da sua realidade, irreal, abstrata –e muitas vezes a escola é tudo isso, mesmo.

Em algum momento do debate dos candidatos à presidência, foi mencionado que o ensino médio é responsabilidade dos estados e não do governo federal. É verdade. Mas os indicadores de educação no Brasil estão péssimos e só pioram. É preciso reagir. Cabe ao governo federal definir políticas públicas para melhorar a educação como um todo e cabe à sociedade cobrar os governos e contribuir para que a educação no Brasil suba de nível.

Vamos nessa?

 

Esse post foi escrito de Pittsburgh, Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio da Fundação Eisenhower.

No dia das crianças, que tal ler em voz alta uma história infantil?

Por sabine
12/10/14 02:22

A proposta é simples: que tal aproveitar o dia das crianças, comemorado neste domingo (12), para ler em voz alta uma história infantil para os seus filhos, sobrinhos ou para as crianças da sua vizinhança?

A única regra é que o livro não pode ter vínculo com nenhuma religião. E, depois da leitura, a publicação deve permanecer com as crianças, para que elas explorem as imagens, as páginas, as cores.

A leitura de histórias infantis em voz alta ajuda a desenvolver a criatividade e a imaginação das crianças –algo que deve ser estimulado justamente nos primeiros anos de vida. Também estreita laços entre a criança e quem está lendo a história infantil. E o mais importante: incentiva a criançada para a literatura e para os livros de maneira geral.

Não é legal?

Trouxe a proposta para o dia das crianças de um projeto de uma cientista molecular da Jordânia, Rana Dajani, que conheci durante a pesquisa que estou fazendo nos Estados Unidos. O projeto se chama “We love reading” (em português, “Nós amamos ler”).

Começou assim: depois de morar um tempo nos EUA e voltar para a Jordânia, Rana se deu conta de que no seu país não há muitas bibliotecas –assim como acontece no Brasil (já escrevi sobre isso). Consequentemente, as crianças da Jordânia não são estimuladas à leitura “por prazer” e acabam associando os livros a provas e exames. Leem pouco ou quase não leem.

Quase não há bibliotecas na Jordânia, mas há muitas mesquitas (o país é de maioria muçulmana). Ela, então, decidiu reunir as crianças do seu bairro semanalmente na mesquita mais próxima para ler em voz alta histórias infantis de contexto não religioso. Isso foi em 2006. Adivinhem o que aconteceu? A quantidade de crianças para as sessões começou a aumentar e outros adultos replicaram a proposta em outros bairros.

Hoje, o “We love reading” já se espalhou por outros países árabes e chegou até na África. O projeto virou uma ONG, que já recebeu prêmios no mundo todo –e vai receber o Wise Award daqui uns dias como projeto de destaque em inovação educacional.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Na Jordânia, a iniciativa acabou crescendo mais do que o esperado. Tanto que Rana acabou desenvolvendo uma série de livros infantis sobre temas importantes da atualidade, como mudanças climáticas, para estimular as crianças, por meio da leitura, para as áreas científicas. Não é sensacional?

A cientista me disse que há estudos que mostram que um adulto que cresceu ouvindo histórias encontra nos livros uma espécie de aconchego. É como se, ao ler, sozinho, ele reencontrasse o colo da mãe dele. Trocando em miúdos: a leitura vira um prazer.

Pois então volto à minha proposta: que tal reunir a criançada no dia das crianças para ler uma história? Depois compartilhem aqui no blog a experiência! Quem sabe o hábito de leitura em voz alta acaba virando uma saudável rotina.

 

Esse post foi escrito de Chicago, nos Estados Unidos, onde estou fazendo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com financiamento da Fundação Eisenhower.

 

Antes de votar, analise o que seu candidato planeja para educação

Por sabine
05/10/14 00:37

Há pelo menos uma ideia comum no discurso dos especialistas em educação com quem estou conversando nos últimos dias: um país “do futuro” tem bons indicadores de educação.

Isso significa que quanto mais um governo investir em educação pública e melhorar seus resultados na escola, maior será a chance de desenvolvimento social e econômico no futuro. Haverá menos desigualdade, mais inovação e menos violência. A melhora nos níveis de educação traz um efeito cascata. Sim, a educação é a base de tudo.

No Brasil, os indicadores de educação são péssimos. Por isso, antes de votar neste domingo (5), vale a pena gastar alguns minutos fazendo uma pesquisa sobre o que o seu candidato anda falando sobre educação.

Vale saber: os governos estaduais são responsáveis especialmente pela oferta do ensino médio público, ensino técnico e pelas universidades estaduais. Já o governo federal, ou seja, o presidente, cuida de projetos específicos de educação em várias áreas (por exemplo, enviando recursos para prefeituras e governos) e também é responsável pelas universidades federais do país.

Se for um candidato à reeleição, vale verificar o que ele já fez na região que comandou. Por exemplo: como estão os indicadores do Estado que ele governou?

Nessa análise, é importantíssimo olhar os números do último Ideb (Índice de Educação Básica). Verifique, por exemplo, se o Estado governado pelo seu candidato melhorou ou piorou as notas do Ideb no ensino médio de 2011 para 2013.

Confira as notas do Ideb por Estado

O ensino médio é, aliás, o gargalo da educação brasileira. Para se ter uma ideia, apenas metade de quem entra na escola ainda criança consegue concluir o ensino médio no Brasil (leia mais aqui). O que o seu candidato fez para atrair os alunos e reduzir os dados de evasão escolar?

Se for um candidato novo, sem experiência em administração pública pregressa, vale a pena ler o que ele fala sobre educação no seu programa de governo. Se as promessas forem vagas, desconfie. Não basta falar “vamos aumentar o salário dos professores”. É preciso saber como isso será feito. De onde virá o dinheiro extra? De quanto será o aumento?

E como está o desempenho das universidades estaduais e federais? E das instituições particulares mais beneficiadas pelo Prouni? Essa análise pode ser feita pelos dados do último RUF (Ranking Universitário Folha).

Veja a classificação das universidades no RUF 2014

Senadores e deputados estaduais e federais, que também serão escolhidos nesta eleição, são os responsáveis pela legislação e cuidam de apresentar e de votar em projetos de lei. Seu candidato tem ou já apresentou projetos de lei na área de educação? Faça uma pesquisa!

O Brasil está no fim da lista de exames internacionais como o Pisa, da OCDE, que avalia o ensino de ciências, de matemática e interpretação de textos.  Se continuar nesse ritmo, será cada vez menos competitivo internacionalmente. A eleição é uma oportunidade de escolher bons nomes para que o “país do futuro” fique menos distante. Aproveite!

 

Esse post foi escrito de Washington D.C., nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio da Fundação Eisenhower.

Escolas e universidades no Brasil desestimulam aluno empreendedor

Por sabine
29/09/14 08:00

Responda rápido: o que é, na sua opinião, um estudante universitário bem sucedido?

Se você respondeu que é o aluno que consegue um estágio ou um trabalho em uma grande empresa –de preferência uma “multinacional”– você acaba de dar uma resposta muito comum entre brasileiros.

Aqui nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, a resposta seria bem diferente. Nos EUA, um universitário bem sucedido é aquele que cria o seu próprio negócio. Ele identifica uma oportunidade, tem uma ideia e desenvolve uma solução. É um tipo Mark Zuckerberg, 30, que criou o Facebook quando ainda estudava em Harvard. Há vários exemplos como ele pelo país.

No Brasil, assim como em muitos países latino-americanos, ou países em desenvolvimento, as escolas e as universidades não preparam seus estudantes para criar, para arriscar, para ousar. O gol é trabalhar em uma empresa na sua área de estudos, ganhar bem e conseguir manter seu emprego.

De onde vem isso? Tenho algumas hipóteses.

A primeira hipótese é que países de economia historicamente instável, como o Brasil, tendem a educar seus jovens para que eles arrisquem menos. É assim: arrume logo seu emprego e não invente moda. Se você trabalhar para o governo, então, melhor ainda. Atire a primeira pedra quem é da minha geração (30-40 anos) e nunca ouviu dos pais que deveria trabalhar no governo.

Pois é.

Aqui, entramos na minha segunda hipótese: a própria família desestimula os brasileiros a se arriscarem a criar novos negócios e novas soluções. É melhor arrumar um emprego, não sabemos o dia de amanhã. Uma postura protecionista, muito parecida, aliás, com a de famílias de países árabes, por exemplo.

ERRAR É FEIO

Mais: no Brasil é “feio” errar. Se você errou, você não deveria nem ter tentando. Não te avisaram que poderia dar errado? Por que foi teimoso e insistiu em tentar? Essa é, na maioria das vezes, a lógica brasileira. Já nos EUA, errar tem uma ligação com “ousadia”. Só erra quem tentou fazer diferente. Isso é extremamente bem visto na cultura local.

Eu estou justamente nos EUA, que é um dos países mais inovadores do mundo, fazendo uma pesquisa para entender o processo de inovação e de empreendedorismo por aqui. Como exatamente a escola e a universidade aqui conseguem estimular o empreendedor?

No Brasil, algumas iniciativas foram criadas recentemente na tentativa de despertar o empreendedorismo. Mas tenho dúvidas sobre a eficiência delas.

Alguns cursos tradicionais de engenharia, como a Poli-USP, criaram uma disciplina opcional sobre “inovação” há alguns anos. Neste ano, a Poli-USP criou ainda um curso opcional chamado “empreendedorismo”. Mas falar sobre inovação e empreendedorismo em um contexto em que o aluno tem uma grade fixa e pouco flexível de disciplinas, com cerca de 40 horas-aula por semana, é, de fato, estimulante? Parece-me que não.

Da mesma forma, de nada adianta colocar bilhões de reais em agências federais de fomento de inovação sendo que quem poderia recorrer a esses recursos foi educado em uma cultura de pouco risco e muita insegurança.

Se a gente começar a mudar a educação agora –e mudar também o jeito como encaramos o risco e o erro–, talvez na próxima geração teremos mais empreendedores. Mas é preciso mudar agora.

 

Esse post foi escrito da Filadélfia, EUA, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre inovação com apoio da Fundação Einsenhower.

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