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Universidades, escolas e rankings

Perfil Sabine Righetti é especialista em políticas de educação e ciência

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Quanto deve ganhar um professor da USP?

Por sabine
17/04/14 18:23

Já escrevi sobre os problemas nas contas da USP, a maior universidade do país, algumas vezes aqui no blog. Dessa vez trago uma abordagem diferente: quanto deve ganhar um professor da USP?

Hoje, a Constituição determina que um docente de qualquer universidade pública não pode ganhar mais do que o governador.

Em 2011, a universidade ignorou as regras e pagou acima do teto para 167 docentes (leia aqui). Eles representam cerca de 3% de quem dá aula na universidade.

O então reitor, João Grandino Rodas, chegou a receber R$ 23 mil mensais –R$ 5 mil a mais do que o governador.

Ninguém sabe o que acontece na USP, mas todos pagam a conta

Editorial: USP reprovada

Tribunal rejeita contas da USP

“Mas quanto ganharia um empresário com uma atividade semelhante a de gerir uma instituição do tamanho da USP?”, perguntou-me um leitor.

Por “tamanho da USP”, entenda-se um universo de cerca de 120 mil pessoas, entre alunos, funcionários e docentes. E um orçamento anual de R$ 5 bilhões.

Eu completo: quanto ganharia um profissional com a mesma formação de um docente “top” da USP se trabalhasse no setor privado?

SALÁRIOS ENGESSADOS

O estabelecimento de teto para salários de docentes característico do Brasil causa estranhamento no ensino superior de elite em todo o mundo.

Universidades competitivas pagam caro para contratar os melhores professores. Por isso, a Universidade de Harvard, dos EUA, que é a melhor do mundo, tem 44 prêmios Nobel no seu corpo docente.

Será que alguns deles toparia dar aula na USP ganhando, aproximadamente, um teto de U$ 10 mil?

Acredito que não.

Além disso, lá fora ganha mais quem produz mais ou dá melhores aulas.

Esse tipo de benefício não acontece no Brasil.

Aqui os salários são nivelados por formação –algo que também é criticada internacionalmente. Tratei disso quando entrevistei Phil Baty, editor do THE (Times Higher Education), principal ranking internacional de universidades (leia aqui).

DEBATE

Obviamente a USP não pode, hoje, pagar salários maiores do que o do governador porque estaria descumprindo a Constituição.

Mas não é o caso de discutirmos como deveriam ser definidos os salários dos docentes?

Enquanto esse tipo de questionamento não for levantado, nossas universidades estarão longe, bem longe, das melhores do mundo.

 

Adolescente que engravida ainda é adolescente

Por sabine
16/04/14 19:46

Uma vez uma professora me perguntou que tipo de trabalho ela deveria fazer na sua diante de um cenário em que uma estudante que engravidou precocemente voltaria às aulas após o parto.

Essa adolescente já não seria mais uma “simples” estudante de ensino médio. Agora ela seria mãe.

Eu disse para a professora que uma adolescente mãe continua sendo, antes de mais nada, uma adolescente. Recomendei que ela conversasse com a turma sobre isso e que incentivasse a jovem mãe a se manter na escola.

É claro que a maternidade traz uma série de amadurecimentos que provavelmente as outras garotas da mesma idade não terão.

Traz um monte de obrigações e de preocupações também.

Mas a adolescente mãe ou o adolescente pai são, antes de mais nada, adolescentes.

Terão questões sobre o futuro, dúvidas, incertezas. E devem ser incentivados a estudar.

Levanto essa questão porque não sou poucos os que engravidam cedo no Brasil.

NÚMEROS

Hoje, mais de 1 milhão de brasileirinhas engravidam todos os anos.

Um em cada quatro partos no Brasil é de uma mulher com menos de 20 anos, diz o Ministério da Saúde.

Especialmente as jovenzinhas que engravidam precisam de um apoio extra dos pais e da escola para não deixarem os estudos para trás.

No Brasil, quase 40% dos jovens de 18 a 20 ainda estão fazendo ensino médio (atrasados) ou abandonaram a escola.

Arrisco dizer que a gravidez precoce está entre os principais motivos desse cenário.

TRABALHO EXTRA

Os dados mostram que devemos levar para a sala de aula um trabalho extra com mamães e papais jovens para mantê-los estudando. Eles têm de se sentir acolhidos na escola.

E, obviamente, os esforços não param por aí.

As escolas também podem servir de palco para um trabalho de educação sexual, de prevenção e de diálogo.

Com mais educação e mais informação, certamente teremos menos jovens “grávidos” e menos abandono da escola.

 

 

 

Procura-se desesperadamente uma biblioteca

Por sabine
11/04/14 13:04

Ando um pouco monotemática. Tenho falado muito sobre a minha tese de doutorado, que estou escrevendo com muito suor.

Com o pouco tempo livre que tenho, escrevo durante à noite e aos finais de semana.

O problema é que não me concentro em casa. Por isso, procuro desesperadamente uma biblioteca para me concentrar, estudar e escrever.

Mas não encontro.

Na universidade na qual faço doutorado, a Unicamp, as bibliotecas funcionam em horário comercial e, algumas, à noite.

Aos finais de semana, esses espaços abrem apenas aos sábados até 13h. Ou seja: quem precisa estudar aos sábados à tarde ou aos domingos não tem chances.

A mesma coisa acontece nas bibliotecas da USP: nenhuma delas abre aos domingos. E estamos falando da melhor universidade do país.

24 x 7

Lembrei que quando estava estudando nos Estados Unidos, na Universidade de Michigan, a maioria das bibliotecas funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana.

Tinham bibliotecários e tudo mais. E estavam sempre lotadas, incluindo aos domingos e  madrugadas.

Se eu não quisesse ir até a universidade, poderia caminhar duas quadras até a biblioteca pública do meu bairro.

RARIDADE

De volta a São Paulo, comecei a rodar a cidade atrás de bibliotecas públicas com horários flexíveis. Deve ter alguma, pensava.

Acabei descobrindo que, bom, a cidade mal tem bibliotecas públicas, muito menos com horários flexíveis. Em São Paulo, cidade com 11 milhões de pessoas, apenas sete bibliotecas públicas abrem aos domingos.

Estamos falando de um país em que esses espaços ainda são raridade, apesar de as bibliotecas serem obrigatórias: a lei de bibliotecas determina que todas as instituições de ensino tenham biblioteca até 2020.

Já existe até uma campanha, Eu quero a minha biblioteca, chamando atenção para o assunto e para o cumprimento das metas do governo.

FORA DA SALA 

Ter bibliotecas pelo menos nas instituições de ensino é importante para que todos os estudantes do país, nos mais variados níveis, tenham um espaço de pesquisa e de estudos.

As aulas expositivas são apenas uma parte do aprendizado. Outra etapa importante é realizada fora da sala de aula, ou seja, nas bibliotecas.

Como podemos ter bons índices de educação se nem temos bibliotecas?

Ou como podemos ter alunos estudiosos se temos bibliotecas com horários tão restritivos?

 

Mesmo com bons salários é difícil achar bons professores

Por sabine
03/04/14 16:35

Desde que comecei este blog, há meio ano, muitos dirigentes de escola têm entrado em contato comigo para falar sobre o mesmo assunto: a dificuldade de encontrar bons professores.

Isso acontece mesmo com bons salários.

Algumas escolas particulares “top” de São Paulo chegam a pagar R$ 50 a hora/aula para os professores. São exceções, claro, mas isso equivale ao salário médio, por exemplo, de um advogado (veja aqui).

Mesmo assim os processos seletivos dessas escolas não fecham.

Muita teoria e pouca prática formam os professores

Salman Khan: ‘Bom professor é o que faz o aluno aprender por si’

RUF: Veja quais são os melhores cursos de pedagogia do Brasil

A reclamação é que é difícil achar docentes com boa formação teórica que consigam ensinar o conteúdo e que estejam conectados com a realidade do aluno de hoje.

O que isso significa?

Significa que quem está na sala de aula agora é bem diferente dos alunos que nós fomos (eu, os professores e talvez você, leitor).

Hoje, o processo de aprendizado começa mais cedo, o acesso à informação vai além do livro didático e as famílias têm uma composição diferente.

Tudo mudou. A maneira como se ensina precisa ser modificada também.

CRIANÇAS RUINS

“Mas  a postura que se assume é que as crianças são ruins e difíceis de ensinar”, diz Flávia Manzione, coordenadora do Prisma –um centro de formação de professor da escola Santa Maria (zona sul de São Paulo).

O próprio Prisma é uma tentativa de dar formação continuada aos docentes dentro da própria escola.

Isso porque até mesmo as boas universidades, diz Manzione, deixam a desejar na formação de professores. Já escrevi sobre isso na Folha algumas vezes.

UM BOM GUIA

Conversando com Manzione, eu me lembrei da entrevista que fiz com o matemático Salman Khan, criador da Khan Academy.

De acordo com Khan, o bom professor não é aquele que dá aulas sensacionais.

“Um professor incrível é o que conhece profundamente o assunto que pretende passar, mas que entende que precisa passar ao estudante ferramentas para que ele descubra o conhecimento por si só.” (leia aqui)

Ou seja: o bom professor na verdade é um ótimo guia.

Nossos cursos de licenciatura, do modo como são pensados hoje, são capazes de formar ótimos guias conectados com a realidade dos alunos?

 

Evento gratuito traz filmes sobre educação em São Paulo

Por sabine
28/03/14 15:21

Quem gosta de educação e de cinema tem uma boa oportunidade para juntar os dois assuntos de uma só vez.

O festival Ciranda de Filmes traz na semana que vem uma série de curtas, médias e longas nacionais e estrangeiros –de países como França, Argentina e EUA– sobre educação.

Os filmes serão exibidos de 31 de março a 3 de abril, no Cine Livraria Cultura. A entrada é gratuita. Veja a programação aqui.

Entre os destaques nacionais está a animação “O menino e o mundo”, de Alê Abreu. O filme chamou atenção da crítica internacional e recebeu prêmios importantes, como melhor animação no Festival de Cinema de Havana (leia sobre o filme aqui).

O menino e o mundo (Brasil, 2013) 

O menino e o mundo

Também está no festival um documentário brasileiro sobre as escolas públicas Vocacionais. Esses espaços foram fechados durante a ditadura militar e são lembrados até hoje como ponto máximo da escola pública de qualidade no Brasil.

Vocacional – Uma Aventura Humana (Brasil, 2011)

Vocacionais

Entre os estrangeiros, o meu preferido é a animação “O menino e a floresta”. É a história de um menino que cresce isolado em uma floresta ao lado apenas do pai –e dos espíritos da floresta.

Trata-se de uma fábula sobre a muitas vezes espinhosa relação entre pais e filhos.

O menino e a floresta (Le jour des corneilles – França, 2011)

O menino e a floresta

Além dos filmes, haverá debates com especialistas em educação sobre as produções exibidas (veja os nomes na programação).

De acordo com a organização, os filmes abordam fundamentalmente três temas: nascimento e infância, espaços de aprendizagem e educação e espaços de transformação.

Anotem na agenda:  festival Ciranda de Filmes, de 31 de março a 3 de abril, no Cine Livraria Cultura.

Eu, cinéfila e apaixonada por temas de educação, estarei lá.

 

Ninguém sabe o que acontece na USP, mas todos pagam a conta

Por sabine
27/03/14 17:50

Está bombando no noticiário: as contas da maior e mais importante universidade do país, a USP, foram reprovadas no TCE (Tribunal de Contas do Estado) por irregularidades.

Em 2008, quando a universidade era comandada pela ex-reitora Suely Vilela, os salários dela e de outros dirigentes ficaram muito acima do teto estabelecido.

As contas não fecharam.

Editorial: USP reprovada

Tribunal rejeita contas da USP

Na gestão seguinte, de João Grandino Rodas, a questão dos salários voltou a assolar a universidade.

O ex-reitor deixou a universidade gastando, estima-se, 104% do orçamento em salários. A média histórica da universidade era de 85% destinados à folha de pagamentos.

Como ultrapassou o orçamento, o ex-reitor teria usado também dinheiro de uma espécie de “poupança” da USP que, estima-se, gira em torno de R$ 3 bilhões.

Digo “estima-se” nos dois casos mencionados porque ninguém sabe ao certo o que acontece nas contas da USP.

CAIXA PRETA

A USP é uma caixa preta bem fechada e lacrada, que só quem está envolvido com a gestão tem acesso. E olhe lá.

O problema é que a universidade é pública e todo mundo paga a conta. Inclusive eu e você.

O que se sabe é que o governo prevê mandar para a universidade R$4,5 bilhões em 2014. É o que se chama de “previsão orçamentária”.

Mas o orçamento inteiro da universidade é uma incógnita.

Quanto dinheiro vem de empresas e de doações? A USP não sabe.

Eu tentei levantar esse número em todas as edições do RUF, mas nunca consegui.

“É tudo muito descentralizado dentro da universidade”, foi a resposta.

SEM AULAS

Os problemas na gestão, claro, refletem-se no funcionamento da universidade.

A unidade leste da USP, por exemplo, já enfrentou de tudo e continua interditada.

Teve contaminação do solo por metais pesados, risco de explosão por causa de metano na terra, água contaminada, infestação de pombos (leia aqui).

Dia desses recebi um e-mail emocionante de uma caloura de marketing da USP leste, a Raíssa Miguez, 19.

Ela diz que para entrar na USP fez um curso preparatório no qual se dedicou muito. Acabou entrando em várias escolas públicas, como a Unicamp, conta, mas escolheu a USP “por ser a mais renomada.”

“Hoje, decepção e desapontamento definem o meu sentimento. Pela terceira vez adiaram o início do ano letivo. Todos estão desapontados com a situação que nos colocaram.”

Pois é, Raíssa. Eu e você estamos pagando essa conta em todos os sentidos.

 

O vestibular nacional dos EUA mudou e isso afeta o Brasil

Por sabine
12/03/14 19:35

Os Estados Unidos anunciaram na semana passada mudanças importantes no SAT, uma espécie de Enem feito naquele país desde 1926.

Entre as principais alterações está uma tentativa de aproximação do exame com o “novo” estudante do ensino médio americano.

A prova, por exemplo, vai evitar o uso de termos excessivamente coloquiais e vai deixar a literatura recomendada mais atual e menos clássica (leia aqui).

Outra mudança é que os alunos terão de justificar a escolha das respostas nas questões de múltipla escolha e não perderão mais pontos por resposta errada.

Bom, mas por que as mudanças no SAT são importantes para a gente?

Por uma série de motivos.

EFEITO CASCATA

O SAT é um exame pioneiro de aplicação nacional de seleção para o ensino universitário e tem sido seguido por vários países.

Ou seja: o que muda por lá tende a ter efeito cascata em todo o mundo.

No Brasil, por exemplo, o Enem, aplicado desde 2004 nacionalmente, é fortemente inspirado no SAT.

O que é cobrado no SAT tende a ser cobrado em exames como o Enem –e isso reflete diretamente no que é ensinado nas salas de aula por aqui.

A diferença é que nos Estados Unidos a pontuação no SAT é parte de uma seleção que pode incluir currículo, entrevista, carta de recomendação e provas adicionais.

Ou seja, além de se preocupar em acertar questões objetivas, o estudante que quer entrar em uma boa universidade se preocupa também em fazer cursos extracurriculares e trabalhos voluntários.

Isso não acontece no Brasil.

O que mais me preocupa em relação à mudança do SAT é que a redação deixa de ser obrigatória.

Se isso respingar por aqui no Enem corremos o risco de perder o único espaço da prova em que o aluno desenvolve seu pensamento crítico no processo se seleção para parte do ensino superior do país.

 

Entre as melhores do mundo em agricultura, USP some em engenharias

Por sabine
06/03/14 09:00

As universidades brasileiras vão mal em rankings universitários.

Mas, se a análise fizer um recorte por áreas do conhecimento como filosofia, farmácia ou ciências agrícolas, o Brasil ganha casas.

Há três universidades brasileiras, por exemplo, entre as 50 melhores do mundo em agricultura e floresta: Unicamp (22º lugar), USP (27º) e Unesp (50º). A área é liderada pela Universidade da Califórnia em Davis (EUA).

O Brasil também aparece entre as melhores do mundo em áreas como farmácia, matemática e comunicação.

O que preocupa é que não há universidades brasileiras entre as “top 50″ no mundo em áreas consideradas essenciais como medicina, direito e engenharia.

Domínio anglo-saxão?

Não. Nessas disciplinas, há escolas de destaque em países dos BRICs, como Índia e da China.

Mesma coisa acontece em áreas em que o Brasil não aparece, como física e engenharia civil. Também há universidades entre as melhores do mundo da Índia e até da Rússia –que não costuma figurar muito em rankings.

POR ÁREA

A análise foi feita pela consultoria QS por meio de um novo ranking de universidades por áreas do conhecimento.

Em oito das 30 disciplinas analisadas agora pelo QS há universidades brasileiras entre as 50 melhores do mundo.

Em sete delas, o Brasil lidera nos países da América Latina.

A exceção é história: Unicamp e UFRJ estão respectivamente em 34ª e 42ª posição na área, mas Unam, do México, está em 25º lugar. A líder é Cambridge (Reino Unido).

Para se ter uma ideia do que os números significam, a USP está em 127º lugar e a Unicamp em 215º no ranking geral de universidade do QS. A Unesp nem aparece na lista geral de universidades.

Ou seja: estar entre as 50 melhores do mundo em uma ou outra área significa muito.

Mas, mesmo sendo líderes na América Latina, as escolas do Brasil ficam atrás de universidades chinesas e sul africanas em algumas áreas –caso de geografia e estatística.

Trocando em miúdos, não temos assim tantos motivos para comemorar.

A análise por áreas do conhecimento mostra sobretudo que quem vai bem nos rankings internacionais, vai bem nas análises por área.

EUA e Reino Unidos dominam o topo das classificações internacionais de universidades e também figuram em primeiro lugar em todas as 30 áreas analisadas pelo QS.

Aluno da USP faz vaquinha para participar de evento na Jordânia; ajude

Por sabine
02/03/14 00:51

A caixa de entrada do e-mail é um pacote de surpresas. Tem notícia boa, leitor nervoso, mensagens de chefe. Tem de tudo.

Nesta semana, eu me deparei com uma mensagem especialmente interessante e resolvi escrever sobre ela. Era um e-mail do Iago.

Iago Bojczuk Camargo, 20, faz economia na USP de Ribeirão Preto.

Antes de chegar lá, estudou em escola pública. Ele é esforçado: já foi medalhista de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e aprendeu inglês sozinho, em casa, sem ajuda.

Foi graças ao seu esforço que ele conseguiu uma vaga na USP, a melhor universidade do país.

Agora, Iago pede ajuda.

Ele foi escolhido em um grupo de 700 jovens de todo o mundo para representar o Brasil em um evento importante chamado Preparando Líderes Globais, que será daqui algumas semanas na Jordânia (veja aqui).

É uma reunião de líderes mundiais e representantes da ONU. Ele quer muito ir.

O problema é que ele precisa de de R$ 3.450 para participar do evento, dinheiro que infelizmente Iago não tem.

O estudante montou uma página no Facebook chamada Iago na Jordânia e criou uma Vaquinha on-line na esperança de recolher o montante que precisa para fazer a viagem.

Até agora, Iago conseguiu arrecadar R$ 170,00. Ainda falta muito.

Vamos ajudar esse jovem brasileiro a realizar mais um sonho? Clique aqui, contribua e espalhe a companha do Iago!

 

Crianças e adolescentes desconhecem o estatuto feito para elas

Por sabine
24/02/14 13:18

Recentemente passei alguns dias acompanhando uma ação da ONG britânica Plan em escolas nordestinas.

Eles estão organizando uma série de atividades para disseminar conceitos sobre sexualidade, o que é certo e errado no sexo (leia aqui). 

Digo ”certo” e “errado” não em um sentido moralista, claro, mas em termos legais mesmo.

Por exemplo: pela lei, uma criança não pode ter relações sexuais com um adulto. Isso é crime –e pode virar crime hediondo se uma lei que acaba de ser aprovada no Senado passar também na Câmara dos Deputados.

Na escola em que eu estava estava, no litoral sul do Rio Grande do Norte, uma das palestrantes lançou uma pergunta interessante para a meninada:

“Seu corpo é seu.  Sabia disso?”

Pairou no ar um clima confuso. Como assim?

DONO DA CRIANÇA

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ninguém é “dono” de uma criança, mesmo que seja responsável por ela.

É por isso que bater em uma criança, mesmo que a intenção seja educar, como defendem alguns pais, é proibido.

Também é proibido, obviamente, abusar sexualmente de crianças.

É importante deixar isso claro na cabeça dos meninos e meninas.

Há casos em que os pais obrigam meninas a manterem relações sexuais com eles alegando que esse é um direito paterno. Ou que meninas e meninos são abusados sexualmente por estranhos porque não têm uma clareza do que podem aceitar ou negar.

Na escola em que eu estive, nenhuma criança havia tido contato com o ECA. 

Aliás, nenhuma delas sequer sabia que o estatuto existe. 

Pois bem.

Estou falando de um estatuto que tem quase 25 anos. Eu sou mais velha que o ECA e em toda a minha vida escolar nunca me apresentaram o estatuto. Acho que eu nem sabia que ele existia quando eu era criança. 

Na escola que visitei, os alunos receberam um exemplar do ECA e foram convidados a encontrar três direitos seus que eles desconheciam.

Proponho que pais e educadores façam o mesmo.

Quanto mais uma criança conhecer os seus direitos, menos vulnerável ela estará.

 

Agradeço à Plan pelo convite para conhecer o trabalho incrível realizado nas escolas do Nordeste!

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