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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Arma de brinquedo deixa infância mais violenta?

Por Sabine Righetti

A proibição nesta semana da venda de armas de brinquedo no Distrito Federal a partir do ano que vem deu uma chacoalhada em um debate que já estava acalorado por aqui.

O que se discute é até que ponto esse tipo de brinquedo influencia o desenvolvimento da personalidade das crianças, deixando-as mais agressivas.

Não há um consenso entre especialistas.

A maioria dos educadores e dos psicólogos diz que o estímulo das armas combinado com outros fatores – como a convivência em um ambiente agressivo – pode levar a comportamentos violentos.

Foi mais ou menos isso o que aconteceu no caso da chacina da Brasilândia, em São Paulo.

O adolescente Marcelo, 13, acusado de matar a família e se matar depois, gostava de armas de brinquedo, de vídeo-games violentos, aprendeu a atirar com o pai, convivia em um ambiente marcado pela violência (os pais eram policias) e tinha uma doença degenerativa bastante séria.

Ou seja, não foi apenas o gosto por armas coloridas daquelas que atiram água que desenvolveu um comportamento bastante agressivo no garoto.

A personalidade e fatores genéticos também devem ser levados em conta. Há casos de crianças extremamente pacíficas e resilientes que convivem em ambientes completamente violentos.

TOM E JERRY

A lei do Distrito Federal parece estar mais preocupada em vencer um debate moral do que qualquer outra coisa.

Esse tipo de debate tem chegado ao universo infantil com frequência.

Nesta mesma semana correu pelas redes sociais que a Cartoon Network tiraria 27 episódios de Tom e Jerry do ar. O motivo? O comportamento politicamente incorreto do gato.

A informação não foi confirmada pela assessoria da Cartoon, que, no entanto, anunciou uma nova temporada de desenhos do gato e rato (uma nova temporada mais preocupada com o aspecto ético da perseguição dos bichos? Talvez!)

O bom senso diz que é preciso ser equilibrado. Não dá para pedagogizar todas as brincadeiras da infância senão a criança corre o risco de desistir de brincar.

É preciso permitir que a criança construa seu próprio universo infantil dentro, claro, de alguns limites estipulados pelos pais e pela escola.

Brincadeiras de mocinho e bandido sempre existiram. E gatos perseguem ratos. Até que ponto esse excesso de proteção e de proibição é positivo?

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