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Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Protestos e polêmicas ficaram fora do Enem

Por Sabine Righetti

Ao contrário do que boa parte dos candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) esperava, a prova deixou de lado as manifestações populares que acontecem no país desde junho.

Nenhuma das questões do exame realizado neste sábado e domingo tocou no assunto. Tampouco a redação, que foi sobre Lei Seca.

O fato surpreendeu os alunos, que esperavam as manifestações pelo menos na redação — eles só falaram sobre isso no sábado.

Mas a ausência dos protestos no exame não surpreendeu os professores. Todos os docentes ouvidos pela Folha foram unânimes ao dizer que o Enem não aborda temas polêmicos, que deem margem para os alunos darem sua própria opinião.

Ou seja, uma redação sobre protestos daria margem para o aluno se posicionar contra ou a favor dos protestos. E contra ou a favor do próprio governo.

O MEC argumenta que os protestos ficaram de fora porque a prova é feita no primeiro semestre. Não teria dado tempo de incluir o tema.

Mas os alunos ficaram decepcionados. “É o assunto do momento. Só se fala nisso”, disse um deles.

Alguns especialistas que conversaram comigo demonstraram certa preocupação com um possível enviesamento do Enem.

Ao evitar temas polêmicos, o exame exclui também temas politizados. Mas não deixa de trazer quatro questões sobre história da África (ou seja, 25% do total), que é uma das bandeiras que o atual governo defende (leia aqui).

Por que devemos nos preocupar com o Enem? Simples: porque o que cai na prova determina o que será ensinado nas escolas (leia mais sobre isso). E isso é muito importante.

Você fez Enem? O que achou da prova e do tema da redação? Comente!

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