Abecedário

Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Por que tanta gente quer entrar na USP?

Por Sabine Righetti

A prova da Fuvest realizada neste domingo (23) foi difícil como sempre.

As questões de exatas arrancaram suor dos candidatos, a prova de inglês trouxe texto da revista “The Economist” e as perguntas interdisciplinares foram consideradas complicadas pelos coordenadores de cursinho com quem conversei (leia aqui).

Depois de passar o domingo acompanhando a prova e os comentários sobre ela, fiquei pensando: por que tanta gente quer entrar na USP?

Bom, a USP é a melhor universidade do país de acordo com o RUF.

A universidade lidera três dos cinco indicadores do ranking (com exceção de “ensino” e “internacionalização”) e está no topo em quase todos os 30 cursos analisados.

E tem dinheiro: o orçamento anual gira em torno de R$ 4 bilhões. É o maior de uma universidade brasileira.

A USP é gratuita — isso em um país em que as melhores escolas são igualmente públicas.

Ou seja, por aqui, diferentemente do que acontece em países como nos Estados Unidos, ninguém junta dinheiro a vida inteira porque quer fazer uma determinada escola de ensino superior privada e cara. Isso porque, por aqui, a maioria das escolas privadas não é competitiva.

A USP fica em São Paulo, o coração econômico do país. Isso significa mais oportunidades de estágios e de contato com grandes empresas. Trocando em miúdos: mais chances de um bom emprego no futuro.

A USP é, ainda, a única universidade de elite do país competitiva internacionalmente (chamada “world class”).

É a única instituição que aparece entre as melhores do mundo nos principais rankings internacionais  — ainda que tenha perdido muitos pontos no último ranking THE (leia aqui).

Por fim, mas não menos importante, a USP é uma espécie de grife.

Quem estuda lá carrega para sempre a capacidade de dizer “eu estudei na USP” –independente do que isso signifique.

Neste ano houve recorde de inscritos para a Fuvest: mais de 172 mil pessoas.

Só 10% desses candidatos entrará na USP.

Resta saber se os outros 90% seguirão para outras universidades de ponta do país, se continuarão tentando a USP ou se, no pior cenário, vão se perder pelo caminho.

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