Abecedário

Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Todo mundo tem de passar pela universidade?

Por Sabine Righetti

Há hoje nos Estados Unidos um debate que vale ser trazido para o Brasil: todo mundo tem de passar pela universidade?

Por lá, muita gente termina a universidade completamente endividado. Isso porque até mesmo as universidades públicas norte-americanas são pagas – e caras. Quem estuda, paga.

O problema é que muita gente não consegue uma boa colocação profissional assim que acaba o curso.

Em alguns casos, especialmente depois da crise econômica de 2008, essa colocação pode nunca vir. Mas as dívidas ficam.

Essa matemática que não fecha faz com que muita gente defenda os community colleges nos EUA – que são espécies de escolas técnicas de nível superior mais baratas e mais curtas (duram cerca de dois anos).

Normalmente, estudantes desses colleges terminam o curso empregados e sem dívidas.

E por aqui? Todo mundo tem de fazer ensino superior? Não. Nem sempre compensa.

Tenho conversado com muita gente que terminou a faculdade de direito e de administração por aqui, mas continua com o mesmo cargo que tinha antes do curso superior. E agora tem dívidas.

Muita gente no Brasil financia um curso superior de quatro anos em oito anos – e paga 50% durante a faculdade e mais 50% depois de se formar.

A dívida é tão pesada que alguns casos a família toda abre os bolsos.

ENSINO TÉCNICO

Não há colleges por aqui. Mas há cursos técnicos muito bem avaliados.

E o Brasil tem uma carência de técnicos tão grande que em algumas áreas os salários estão bastante altos e competitivos.

O país também carece de pessoas que simplesmente sejam fluentes em inglês.

Diante de um potencial turístico como o do Brasil, prestes a sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o simples fato de falar inglês pode ser muito mais produtivo do que uma graduação.

Tudo depende do que o estudante está buscando ao se matricular no ensino superior.

É claro que, diferentemente dos Estados Unidos, por aqui ainda é baixa a quantidade de gente que tem ensino superior.

Estima-se que menos de 15% da população em idade universitária (de 18 a 24 anos) esteja na sala de aula de universidades. Nos EUA, essa taxa é pelo menos três vezes maior.

Mas vale a pena analisar muito bem quais são os ganhos reais de um curso de ensino superior — especialmente se for pago.

Em alguns casos, outras alternativas de estudos podem valer mais a pena.

 

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