Abecedário

Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Mesmo com bons salários é difícil achar bons professores

Por Sabine Righetti

Desde que comecei este blog, há meio ano, muitos dirigentes de escola têm entrado em contato comigo para falar sobre o mesmo assunto: a dificuldade de encontrar bons professores.

Isso acontece mesmo com bons salários.

Algumas escolas particulares “top” de São Paulo chegam a pagar R$ 50 a hora/aula para os professores. São exceções, claro, mas isso equivale ao salário médio, por exemplo, de um advogado (veja aqui).

Mesmo assim os processos seletivos dessas escolas não fecham.

Muita teoria e pouca prática formam os professores

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A reclamação é que é difícil achar docentes com boa formação teórica que consigam ensinar o conteúdo e que estejam conectados com a realidade do aluno de hoje.

O que isso significa?

Significa que quem está na sala de aula agora é bem diferente dos alunos que nós fomos (eu, os professores e talvez você, leitor).

Hoje, o processo de aprendizado começa mais cedo, o acesso à informação vai além do livro didático e as famílias têm uma composição diferente.

Tudo mudou. A maneira como se ensina precisa ser modificada também.

CRIANÇAS RUINS

“Mas  a postura que se assume é que as crianças são ruins e difíceis de ensinar”, diz Flávia Manzione, coordenadora do Prisma –um centro de formação de professor da escola Santa Maria (zona sul de São Paulo).

O próprio Prisma é uma tentativa de dar formação continuada aos docentes dentro da própria escola.

Isso porque até mesmo as boas universidades, diz Manzione, deixam a desejar na formação de professores. Já escrevi sobre isso na Folha algumas vezes.

UM BOM GUIA

Conversando com Manzione, eu me lembrei da entrevista que fiz com o matemático Salman Khan, criador da Khan Academy.

De acordo com Khan, o bom professor não é aquele que dá aulas sensacionais.

“Um professor incrível é o que conhece profundamente o assunto que pretende passar, mas que entende que precisa passar ao estudante ferramentas para que ele descubra o conhecimento por si só.” (leia aqui)

Ou seja: o bom professor na verdade é um ótimo guia.

Nossos cursos de licenciatura, do modo como são pensados hoje, são capazes de formar ótimos guias conectados com a realidade dos alunos?

 

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