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Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Meninas aprendem a se proteger, meninos não aprendem nada

Por Sabine Righetti

Dia desses eu estava saindo para correr quando a minha vizinha me perguntou: “Você tem coragem de sair na rua assim a essa hora?”

Ela se referia ao shorts de corrida. O horário? Algo em torno de 21h30.

Cresci ouvindo que meninas, para se proteger, devem evitar roupas curtas, justas e que chamem atenção. Também devem evitar andar sozinhas à noite.

Drauzio Varella: Estupradores

Saindo para correr à noite eu estava corrompendo várias regras.

Eu ouvia isso em casa, na escola e por onde passava: meninas devem se proteger.

O caminho linear desse raciocínio perigoso é que se as meninas não se protegerem, coisas ruins poderão acontecer com elas.

Ou seja: será culpa das meninas se elas forem atacadas, assediadas ou, no auge da escrotidão humana, estupradas.

E se algo acontecesse comigo naquela noite seria porque eu estava sozinha, à noite, de shorts. Isso e pronto. Culpa minha.

IPEA

Esse pensamento há décadas reproduzido no Brasil é uma das explicações para que um em cada quatro brasileiros concorde com o ataque a mulheres que usam “roupas que mostram o corpo”, como revelou recentemente uma pesquisa do Ipea.

Nós continuamos repetindo o discurso de que as mulheres devem se proteger de “ataques” –e ensinamos as meninas a fazer isso.

Mas o que estamos ensinando aos meninos?

Será que estamos refletindo com os meninos sobre os limites do indivíduo e sobre o direito de cada pessoa se vestir e se expressar como quiser sem ser julgado ou, pior, violentado por isso?

Os resultados da pesquisa do Ipea são uma ótima oportunidade para levar esse debate para meninos e meninas.

Se os meninos crescerem aprendendo a respeitar as mulheres independentemente do horário, da roupa e de onde elas estejam, as meninas não precisarão mais “se proteger” dos ataques deles.

Precisamos levar essa lógica para casa e para sala de aula. Convido a todos os educadores que leem o este blog a fazer isso.

Vamos nessa?

 

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