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Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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USP pode sair do vermelho sem pedir mais dinheiro ao governo

Por Sabine Righetti

A USP, maior universidade do Brasil, está falida. Só a folha de pagamentos consome 105% do orçamento da universidade. A conta não fecha.

A maioria das pessoas com quem converso sobre o problema apresenta a mesma solução: pedir mais dinheiro ao governo.

A universidade já recebe 5% do ICMS paulista que, neste ano, deve bater em R$ 6 bilhões. Precisa mesmo pedir mais?

Não.

A gestão das melhores universidades do mundo mostra que nenhuma sobrevive apenas com dinheiro público.

E, em uma situação de crise, a solução de uma universidade pública competitiva jamais seria pedir ainda mais dinheiro público.

MENSALIDADES

O colunista da Folha Hélio Schwartsman, por exemplo, sugere que a universidade passe a cobrar mensalidades (leia aqui).

É assim  que funciona em boa parte das universidades públicas do mundo, incluindo em países como Estados Unidos e Alemanha: todo mundo paga.

Na USP, poderia haver um esquema de cobrança proporcional à renda, por exemplo. E algumas bolsas.

Mas, ok, deixando a graduação de fora da matemática. Por que não cobrar da pós-graduação?

PÓS PAGA

Cursos de especialização, por exemplo, podem ser pagos.

Boa parte de quem faz especialização latu senso trabalha e pode conseguir subsídios de suas respectivas empresas. Alguns cursos de pós-graduação da USP, inclusive, já são pagos. A FIA é exemplo disso.

Por falar em empresas, por que não captar mais recursos privados?

O movimento estudantil torce o nariz para dinheiro privado na universidade pública porque teme interferência nas aulas e nas pesquisas, mas acha justo que a sociedade pague a conta da universidade.

Isso faz algum sentido?

DINHEIRO PRIVADO

A USP hoje nem sequer contabiliza o quanto recebe de empresas ou de doação de ex-alunos, por exemplo. Já escrevi sobre isso (leia aqui). Como pode, então, ter uma estratégia para atrair esses recursos?

Há ainda outras formas de arrecadação.

Um leitor deste blog já apontou dez soluções para a crise da USP, incluindo cobrança de estacionamento e de espaço para eventos, no seu próprio blog de economia. Veja aqui.

Mas pouca gente está pensando em alternativas.

Não vejo a comunidade uspiana se esforçando para encontrar soluções para a saúde financeira da universidade. Não há uma comoção de alunos. Tampouco achei páginas no Facebook sobre isso.

O que há é uma certeza de que o governo vai abrir a carteira.

A questão é que pouca gente está avaliando que a universidade está sob risco de perda de autonomia.

Se a USP não mostrar que sabe cuidar das próprias contas, o governo pode dizer “então deixa que eu cuido.” E aí, sem autonomia, a situação da USP vai ficar feia para valer.

 

 

 

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