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Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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USP está falida, mas funcionários e docentes querem aumento

Por Sabine Righetti

Eu já escrevi isso aqui muitas vezes: a USP está falida. Só a folha de pagamentos da universidade consome 105% do seu orçamento. Não há dinheiro para mais nada.

Também já escrevi aqui no blog que estranho a pouca mobilização da comunidade uspiana para debater o problema.

Não vejo alunos funcionários e docentes se esforçando para encontrar soluções para a saúde financeira da universidade. Não há nenhuma comoção, proposta ou debate.

USP pode sair do vermelho cobrando por aulas e por estacionamento

Ninguém sabe o que acontece na USP, mas todos pagam a conta

Mas o que mais me causou estranheza até agora é a informação que acabo de receber: funcionários e docentes da USP acabaram de anunciar uma paralisação (leia aqui).

O motivo? Congelamento de salários.

A pauta é válida, é claro. Teve inflação então é preciso ter pelo menos um aumento salarial proporcional.

Mas, calma, vamos voltar ao lide deste texto: a USP está falida. É hora de pedir aumento? Ou de debater a crise financeira na qual a USP está mergulhada?

A universidade já recebe 5% do ICMS paulista que, neste ano, deve bater em R$ 6 bilhões. Precisa mesmo pedir mais?

CULPA DE QUEM?

Os argumentos que tenho encontrado sobre a atual crise da USP giram em torno de que o antigo reitor, João Grandino Rodas, fez uma péssima administração, saiu gastando dinheiro ao vento e agora todo mundo está pagando a conta (leia sobre isso aqui).

A culpa seria da gestão.

Para piorar o cenário, o antigo reitor foi o segundo colocado na eleição da USP em 2009 e, mesmo assim, foi escolhido pelo então governador José Serra (PSDB-SP) para comandar a universidade.

A culpa seria do governo.

Rodas se defende. Em artigo na Folha desta quarta-feira ele diz: “Mesmo com todos os investimentos realizados, uma reserva de mais de R$ 1 bilhão ficou disponível nos cofres da universidade para fazer face a eventuais sobressaltos na economia.”

Não estou dizendo que o governo ou a gestão anterior estavam certos. Tudo indica que não estavam.

Mas transferir a responsabilidade da crise atual na USP exclusivamente para a gestão e para o governo pode ser uma carta branca para que a comunidade uspiana não participe da solução do problema?

A resposta me parece um pouco óbvia.

Sigo sem entender o pouco envolvimento da USP com questões que dizem respeito a ela própria. Assim, a maior e melhor universidade do país vai seguir ladeira abaixo.

 

 

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