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Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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PUC do Chile passa a USP na lista de melhores da América Latina; entenda

Por Sabine Righetti

No mesmo dia em que a USP entrou em greve, a universidade também perdeu a liderança das melhores universidades da América Latina.

Agora, a melhor universidade da região é a PUC do Chile (leia aqui).

A lista é elaborada pelo QS, consultoria britânica especializada em educação.

A USP não comentou o fato. Já a PUC do Chile comemorou a novidade.

Pelo telefone, a porta-voz da universidade, Ana María Bolumburu, estava em clima de festa.

Ela me explicou que a PUC do Chile não se preocupa com rankings universitários internacionais e nem tem pensado em melhorias com o objetivo de ganhar casas nas listagens.

“Mas temos uma política de excelência e o resultado do ranking é um reflexo disso.”

MAIS INGLÊS

Para entender porque a PUC do Chile “ultrapassou” a USP é preciso ver o que a instituição chilena está fazendo “de excelência.”

Um bom exemplo é o incentivo ao inglês.

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Na PUC do Chile há uma prova de proficiência que todo aluno deve fazer ao ingressar na universidade.

Quem vai mal tem de fazer aula de inglês obrigatória.

Por que isso é importante?

Simples: o inglês é a língua oficial da ciência. Para publicar trabalhos científicos em inglês –e ter impacto internacionalmente– é preciso falar inglês.

O Chile é o país que mais tem publicado artigos em inglês proporcionalmente ao que produz, informa o matemático Renato Pedrosa, especialista da Unicamp em ensino superior.

Por causa do inglês, a universidade católica tem um índice alto de colaboração internacional nas atividades acadêmicas.

De acordo com análise do especialista em indicadores científicos Rogério Meneghini, a Pontifícia Universidade Católica do Chile tem cerca de metade de sua produção científica feita em colaboração internacional.

Já a USP tem de 25% a 30% dos trabalhos acadêmicos em colaboração com cientistas estrangeiros.

Na matemática dos rankings universitários são justamente critérios como impacto da pesquisa e colaboração internacional que são levados em conta.

ESTAGNADA

Enquanto o Chile está se movimentando, a USP está parada: a nota da universidade na avaliação deste ano foi igual ao ano anterior.

Mais do que isso, a USP está literalmente paralisada. Entrou em greve nesta terça-feira (27) por aumento salarial, depois de uma série de episódios que indicam problemas de gestão.

Hoje, a USP gasta 103% do seu orçamento só com salários.

“Na PUC do Chile não há greves”, lembra Meneghini.

Com um terço de alunos em relação à USP e com um sistema de contratação de docentes bem mais flexível, que permite até trazer de volta professores que estavam dando aula nos EUA, a PUC do Chile consegue negociar salários de acordo com critérios como a produtividade.

Já a gigante USP tem salários fixados e contratação por meio de concurso.

AVALIAÇÃO

Obviamente o ranking latino-americano do QS é apenas uma forma de avaliação de ensino superior dentre várias que podem existir.

A metodologia de avaliação é tão questionável que a mesma PUC do Chile não lidera o próprio Chile.

De acordo com o ranking nacional feito pela “Revista América Economia”, equivalente ao RUF (Ranking Universitário Folha), a Universidade do Chile lidera, à frente da PUC.

Mas o QS mostra que se a USP continuar estagnada (ou, pior, paralisada) ela vai sair perdendo recorrentemente em um cenário internacional.

 

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