Em ranking que considera salário de egresso, Babson é melhor que Harvard

Por Sabine Righetti

Alguém aí já tinha ouvido falar do Babson College? Eu não. Mas essa instituição de Massachusetts (mesmo estado do famoso MIT) acaba de ser classificada como a melhor dos EUA em um ranking lançado nesta segunda-feira (28).

O novo ranking de universidades dos EUA é da revista “Money” (“Dinheiro”), que é do grupo “Time”.

A ideia da publicação foi classificar as universidades dos EUA a partir de três principais critérios: qualidade do ensino, acessibilidade (em termos de custo) e os salários do ex-alunos –que o ranking chamou chamou de “valor agregado”.

Babson College foi a escola com o melhor custo-benefício na matemática dos gastos e dos salários. Surpresa geral. É uma instituição focada em business, muito parecida com a brasileira FGV. Tem pouco mais de 2.000 alunos. Nem aparece em rankings internacionais de universidades.

A graduação na Babson sai por quase R$ 430 mil o curso todo, incluindo gastos com moradia e com alimentação durante a graduação. Caro? Sim, bastante, é 7% mais cara que a famosa Harvard. Mas os estudantes deixam a escola com um salário médio inicial de R$ 10,8 mil mensais.

Bacana, não?

Outra vantagem é que quem estuda no Babson College sai empregado. Durante a graduação, diz a “Money”, os alunos são incentivados a fazer trabalhos voluntários, fazem estágios na região e também são estimulados a abrir o próprio negócio.

Isso é importante. Concluir o ensino superior com dívida e sem emprego não é muito animador.

CARREIRA E SALÁRIO

De acordo com a “Money”, quem entra na universidade está preocupado com isso: carreira, o primeiro emprego e o salário em médio e longo prazo. Isso é especialmente importante nos EUA, em que todas as universidades são pagas (e caras).

Ou seja: na hora de avaliar uma instituição de ensino superior e escolher em qual estudar, é preciso avaliar o “valor agregado”.

Os indicadores usados pela “Money” para avaliar as universidades , claro, são polêmicos. Ao considerar gastos e salários, o ranking não prioriza critérios usados pela maioria dos rankings universitários, como a produção científica de cada universidade.

Entende-se, internacionalmente, que uma boa instituição de ensino superior faz pesquisa científica de qualidade.

Para se ter uma ideia, Harvard, que coleciona 47 docentes com prêmio Nobel e é a melhor do mundo de acordo com o ranking de Xangai, ficou em 6º na lista da “Money”.

80 ALUNOS

Além do Babson College, outra surpresa da lista da “Money” é o Instituto Webb, que tem apenas 80 alunos no curso único de engenharia naval. É uma graduação “barata” para os padrões americanos (R$ 170 mil). O salário inicial de quem sai de lá salta aos olhos: cerca de R$12 mil.

Dentre comentários e críticas que li sobre a nova avaliação de universidades da “Money”, gostei de uma: agora, com a lista de “Money”, os estudantes dos EUA têm uma forma a mais para avaliar as universidades e para tomar sua decisão de onde estudar.

Antes, o “US News” tinha o monopólio de rankings de universidades naquele país, feitos há mais de 30 anos. Quanto mais informações, melhor.