Depois de FGV, Insper também vai usar nota do Enem no próximo processo seletivo

Por Sabine Righetti

Depois de a FGV ter anunciado, em junho deste ano, que teria vagas reservadas para quem quiser entrar nos cursos de administração e de administração pública via Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), agora foi a vez do Insper ter a mesma iniciativa.

A partir do próximo processo seletivo, o instituto terá duas portas de entrada: o vestibular tradicional e o Enem.

Avaliar, certificar e selecionar: tudo por conta do Enem

A escola oferecerá 150 vagas para os cursos de graduação em administração e 75 para economia, das quais 20 e 10 vagas, respectivamente, serão destinadas aos  candidatos  que alcançarem a média acima de 700 pontos no Enem.

Ou seja: os alunos poderão concorrer as vagas pelo vestibular ou pelo exame nacional. As inscrições para o processo seletivo acontecem até 13 de outubro.

A ideia, de acordo com o coordenador executivo de processos seletivos do Insper,  Tadeu da Ponte, “é diversificar o perfil do ingressante do Insper facilitando assim o ingresso deles na escola.”

Trocando em miúdos, a proposta é atrair mais alunos de fora de São Paulo e também os egressos de escolas públicas.

Como isso acontece?

MILHÕES DE CANDIDATOS

Bom, o Enem tem milhões de inscritos. No ano passado, 7,7 milhões de estudantes fizeram o exame em todo o país. É muita gente.

Quem fizer Enem e atingir mais de 700 pontos, já se torna um aluno em potencial do Insper –mesmo que nem estivesse pensando em fazer algum curso no instituto.

O interessante é entender por que escolas de ponta, como FGV e Insper, que estão entre as três melhores escolas de administração do país de acordo com o último RUF, estão querendo “diversificar o perfil do aluno”, nas palavras do coordenador do instituto.

O que está por trás disso é a ideia de que quanto mais diverso o ambiente de estudos, mais rico ele será. Ou seja: uma turma heterogênea, com alunos de todo canto do país, e até de fora dele, tende a debater questões com mais profundidade e a chegar a soluções mais complexas.

BOLSA DE ESTUDOS

É claro que não basta criar mais uma porta de entrada para diversificar o perfil dos alunos. Hoje, a mensalidade do Insper sai por cerca de R$ 3,2 mil (cerca de cinco salários mínimos), o que obviamente limita –e muito– a quantidade de alunos que podem se manter no instituto.

Para quem for aprovado, mas não pode pagar, o Insper tem um programa de bolsas integral e parcial para quem não pode pagar. São 141 bolsistas –quase 45% a mais do que em 2010.

Agora, com a possibilidade de ingresso via Enem, esse número de bolsas pode crescer ainda mais. Tudo depende da quantidade de alunos egressos de escolas públicas, por exemplo.

MAIS ENEM

O Abecedário apurou que, além da FGV e do Insper, outras instituições de ensino superior renomadas estão estudando incluir o Enem no seu processo seletivo.

Uma dessas escolas é a Unicamp, que já tem um grupo de trabalho para analisar a possibilidade de ingresso na universidade também via Enem (como na FGV e no Insper) ou exclusivamente via Enem. Nesse caso, o tradicional vestibular dissertativo da Unicamp seria totalmente substituído pelo exame nacional do MEC, assim como aconteceu nas universidades federais.