Entenda por que estudar para o Enem é cada vez mais importante

Por Sabine Righetti

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) surgiu como uma tentativa de fazer um diagnóstico do ensino médio brasileiro, considerado o maior gargalo da educação do país. No Brasil, sabe-se que os estudantes insistem na escola até chegar no ensino médio, quando desistem dos estudos. Era preciso entender o que estava acontecendo.

Hoje, com o recorde de 9,5 milhões de inscritos para o próximo exame, que acontece nos dias 8 e 9 de novembro, o Enem se tornou peça fundamental para quem quer chegar ao ensino superior.

A nota do Enem é considerada no processo seletivo de instituições de ensino superior de todo o país –públicas e privadas. Quem quiser ter uma bolsa de estudos em instituições privadas de ensino via Prouni ou uma bolsa em universidades estrangeiras pelo programa Ciência sem Fronteiras também precisará de uma boa nota do Enem.

Sair-se bem no Enem agora é fundamental. 

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O problema é que nem todas as escolas estão preparadas para ensinar aos alunos o que será cobrado no exame. Quer um exemplo? O Enem é essencialmente multidisciplinar. Suas questões misturam contas (matemática) com geografia ou juntam história e português na mesma pergunta.

Enquanto isso, as escolas continuam dividindo o conhecimento em caixinhas. O aluno aprende que geografia e biologia são duas áreas separadas –e têm professores distintos para cada disciplina.

Além disso, a proposta do Enem é cobrar essencialmente “competências” e não “conteúdo”. Isso significa que o aluno deve estar preparado para comparar períodos históricos no lugar de saber detalhes sobre um período específico (Grécia Antiga, por exemplo). A maioria das escolas ainda se concentra nos detalhes de cada fase da história. 

ATUALIDADES

Outra característica importante do Enem, que pouco aparece no currículo das escolas (especialmente daquelas que trabalham com apostilas), é a atualidade da prova. As questões do exame tendem a abordar fatos que apareceram recentemente no noticiário. E são justamente essas que os alunos mais erram.

No simulado para o Enem desenvolvido no ano passado pela Folha em parceria com a empresa Adaptativa, por exemplo, a única pergunta sobre Primavera Árabe (onda de manifestações no Oriente Médio), considerada “fácil” pela equipe da Adaptativa, teve 53% de respostas marcadas erradas. Para se ter uma ideia do que essa porcentagem significa, uma questão fácil de história tem um índice de erro de 20%.

Quem fez o simulado para o Enem da Folha em 2013 –foram 80 mil inscritos– também foi mal em interpretação de textos. Foi o segundo tópico com mais erro, com 41,7% de índice de incorreções. Interpretações de textos é uma competência altamente cobrada no Enem. 

SIMULADO

Quem quiser se preparar melhor para o Enem e fazer o simulado Folha-Adaptativa neste ano deve fazer inscrição aqui até o dia 14 de setembro. O exame é gratuito e a prova poderá ser feita de 8 a 14 de setembro, no mesmo site. No dia 15 de setembro os estudantes terão acesso ao gabarito para saber quais questões estão certas e quais estão erradas.

Cada estudante ainda terá acesso a uma espécie de boletim personalizado com seu desempenho no exame, feito com a mesma tecnologia utilizada pelo MEC, a TRI (Teoria de Resposta ao Item).

Esse diagnóstico estará disponível a partir do dia 19 de setembro. Ou seja: cada estudante terá ainda quase dois meses para estudar as áreas em que foi pior (sabe-se que, em geral, os alunos tendem a estudar mais os assuntos com os quais ele se sente confortável e acaba deixando de lado os temas que trazem mais dificuldade).

O simulado da Folha-Adaptativa também terá redação, que será corrigida de maneira colaborativa, pelos próprios alunos, de 15 a 18 de setembro. Depois de receber a correção do seu texto, o usuário será convidado a reescrevê-lo e a submetê-lo novamente.

No simulado do ano passado, 6.000 estudantes fizeram a redação e 78 mil correções foram enviadas.