Terceira edição do RUF traz novo ranking de cursos e adapta indicadores

Por Sabine Righetti

Feito desde 2012, o RUF chegou à sua terceira edição. Na publicação lançada nesta segunda-feira (8)  há dois produtos principais: o ranking de universidades e os rankings de cursos.

No ranking de universidades estão classificadas todas as 192 universidades brasileiras, públicas e privadas, a partir de cinco indicadores: pesquisa, internacionalização, inovação, ensino e mercado.

No ranking de cursos é possível encontrar a avaliação de cada um dos 40 cursos de graduação com mais ingressantes no Brasil, como administração, direito e medicina, a partir de dois indicadores: ensino e mercado. Em cada classificação são considerados os cursos oferecidos por universidades, por centros universitários e por faculdades. Isso corresponde a 93% dos cerca de 7 milhões de matriculados no ensino superior do país.

O ranking de cursos é um produto novo. Até o ano passado, o RUF trazia uma avaliação de ensino e uma avaliação de mercado em 30 cursos diferentes. Nesta nova edição, cada um dos 40 cursos com maior demanda no Brasil tem um ranking próprio.

Os dados que compõem os indicadores de avaliação do RUF são coletados por uma equipe da Folha em bases de patentes brasileiras, em bases de periódicos científicos, em bases do MEC e em pesquisas nacionais de opinião feitas pelo Datafolha. Esse trabalho leva cerca de oito meses. A Folha não recebe nenhum dado diretamente das instituições de ensino avaliadas.

ADAPTAÇÃO ‘JABUTICABA’

Nesta nova edição, o RUF traz ainda algumas adaptações dos indicadores ao cenário brasileiro.

Por exemplo, a quantidade de “mestres” foi incluída, com um peso menor, na qualificação do corpo docente na avaliação de ensino. Hoje, apenas 8% de quem dá aula no ensino superior têm doutorado. Os mestres são reconhecidamente, no Brasil, um esforço das instituições no sentido de melhorar sua qualidade.

Outra adaptação foi a exclusão do subindicador “docentes estrangeiros” da avaliação de internacionalização das universidades. Isso porque a quantidade de docentes de fora do país ainda é tão pequena no Brasil que o resultado praticamente não se alterava. Não fazia sentido manter esse critério.

O RUF, assim como todos os rankings de universidades que conhecemos, ainda deve sofrer novas modificações nas futuras edições. O ensino superior muda e o que se entende por instituições de qualidade também sofre alterações; o RUF vai mudar junto com esse movimento.

HÁ 30 ANOS

Vale dizer que fazer ranking, no Brasil, ainda é novidade e causa estranhamento, mas rankings de universidades são feitos por grupos de mídia há muitas décadas em vários países. Quem começou com essa história foi o “U.S.News” ao classificar as universidades dos Estados Unidos em 1983. Os rankings são feitos pelo jornal até hoje.

No mundo todo há grupos de mídia fazendo rankings de universidades: Tem o “Die Zeit” na Alemanha, o “The Guardian” na Inglaterra, o “Reforma” no México, a revista “Maclean’s” no Canadá, a revista “AméricaEconomia” no Chile.

Há países com mais um ranking de universidades. Nos EUA, a revista “Money” lançou neste ano um ranking concorrente ao do “U.S.News”, em que classifica as instituições de ensino superior norte-americanas considerando critérios como valor das mensalidades e salários dos egressos (leia mais aqui).

Para o “U.S.News” a melhor dos EUA é Harvard; para a “Money” é a Babson (uma espécie de FGV daquele país). Conforme mudam os critérios, mudam os resultados.  Os rankings dizem: “considerando determinado critério, tal instituição vai bem e tal vai mal.” Por isso, é importante conhecer todos os critérios.

O interessante é que os rankings criam uma cultura de avaliação e de auto-avaliação. É um instrumento transparente para orientar alunos, pais de alunos, docentes e dirigentes de escolas. Não são únicos, claro, e não devem ser absolutos, mas são muito importantes quando feitos de maneira transparente e independente como o RUF.