Unicamp é 15ª melhor universidade ‘jovem’ do mundo

Por Sabine Righetti

Um ranking divulgado nesta 3ª feira (23) pela consultoria britânica QS coloca a Unicamp entre as 15 melhores universidades jovens do mundo –com menos de 50 anos. A escola é a única brasileiras da lista, que classifica 50 instituições jovens de vários países.

As cinco primeiras universidades da lista são todas asiáticas: estão em Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong.

A líder das jovens, Nanyang Technological University, de Cingapura, está também entre as 50 melhores do mundo na classificação do QS que avalia todas as universidades que existem. Já a Unicamp está em 206º lugar na classificação internacional.

Ranking QS de universidades jovens 

Ranking QS internacional de universidades 

Esse ranking mais específico permite algumas análises bacanas.

Pela listagem, vemos que a Universidade da Antuérpia, criada na Bélgica em 2003, está melhor do que a nossa Unicamp, que é de 1966. Veja, aqui, estamos comparando uma instituição que tem pouco mais de uma década com a tradicional Unicamp.

Isso mostra que há países que estão criando universidades com padrões internacionais. O Instituto de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, que está ‘no top 5’, é outro exemplo. A escola foi criada em 1991 com um monte de professores estrangeiros no seu corpo docente. Como tem aulas em inglês, atrai alunos do mundo todo.

Já a Unicamp tem cerca de 2% dos seus alunos vindos de outros países –a maioria da Colômbia e do Peru. As aulas e serviços são todos em português. Será que não precisamos investir mais em internacionalização?

Tudo bem, a Unicamp foi criada em outro contexto, com outro objetivo. OK.

Mas então vamos analisar o caso dos EUA. Aquele país tem universidades ‘world class’ criadas há alguns séculos e tem, na lista das jovens, duas instituições –Universidade da Califórnia em Irvine (7º lugar) e Universidade da Califórnia em Santa Cruz (22º lugar).

Aqui, no Brasil, temos universidades quase seculares, como a USP, mas não há nenhum movimento de desenvolvimento de novas universidades ‘world class’. Isso não deveria ser prioridade para que o país consiga alavancar o seu desenvolvimento social, econômico e tecnológico nos próximos anos? Sim, deveria.

FORA DA LISTA

A proposta da QS ao avaliar as escolas jovens é interessante. Isso porque muitos países de ensino superior recente declaram se sentir injustiçados nas comparações com outros que têm universidades há séculos. Harvard, dos EUA, a melhor do mundo, por exemplo, foi criada no século 17. USP, a melhor do Brasil, é de 1934.

O problema é que conforme as universidades envelhecem, elas saem do ranking da QS. A Unicamp, por exemplo, completa 50 anos em 2016. A partir de 2017, ela estará fora da listagem. Outra instituição entrará no seu lugar não porque tenha melhorado seus próprios indicadores, mas porque as mais velhas saíram.

Isso é meio esquisito, não?