Antes de votar, analise o que seu candidato planeja para educação

Por Sabine Righetti

Há pelo menos uma ideia comum no discurso dos especialistas em educação com quem estou conversando nos últimos dias: um país “do futuro” tem bons indicadores de educação.

Isso significa que quanto mais um governo investir em educação pública e melhorar seus resultados na escola, maior será a chance de desenvolvimento social e econômico no futuro. Haverá menos desigualdade, mais inovação e menos violência. A melhora nos níveis de educação traz um efeito cascata. Sim, a educação é a base de tudo.

No Brasil, os indicadores de educação são péssimos. Por isso, antes de votar neste domingo (5), vale a pena gastar alguns minutos fazendo uma pesquisa sobre o que o seu candidato anda falando sobre educação.

Vale saber: os governos estaduais são responsáveis especialmente pela oferta do ensino médio público, ensino técnico e pelas universidades estaduais. Já o governo federal, ou seja, o presidente, cuida de projetos específicos de educação em várias áreas (por exemplo, enviando recursos para prefeituras e governos) e também é responsável pelas universidades federais do país.

Se for um candidato à reeleição, vale verificar o que ele já fez na região que comandou. Por exemplo: como estão os indicadores do Estado que ele governou?

Nessa análise, é importantíssimo olhar os números do último Ideb (Índice de Educação Básica). Verifique, por exemplo, se o Estado governado pelo seu candidato melhorou ou piorou as notas do Ideb no ensino médio de 2011 para 2013.

Confira as notas do Ideb por Estado

O ensino médio é, aliás, o gargalo da educação brasileira. Para se ter uma ideia, apenas metade de quem entra na escola ainda criança consegue concluir o ensino médio no Brasil (leia mais aqui). O que o seu candidato fez para atrair os alunos e reduzir os dados de evasão escolar?

Se for um candidato novo, sem experiência em administração pública pregressa, vale a pena ler o que ele fala sobre educação no seu programa de governo. Se as promessas forem vagas, desconfie. Não basta falar “vamos aumentar o salário dos professores”. É preciso saber como isso será feito. De onde virá o dinheiro extra? De quanto será o aumento?

E como está o desempenho das universidades estaduais e federais? E das instituições particulares mais beneficiadas pelo Prouni? Essa análise pode ser feita pelos dados do último RUF (Ranking Universitário Folha).

Veja a classificação das universidades no RUF 2014

Senadores e deputados estaduais e federais, que também serão escolhidos nesta eleição, são os responsáveis pela legislação e cuidam de apresentar e de votar em projetos de lei. Seu candidato tem ou já apresentou projetos de lei na área de educação? Faça uma pesquisa!

O Brasil está no fim da lista de exames internacionais como o Pisa, da OCDE, que avalia o ensino de ciências, de matemática e interpretação de textos.  Se continuar nesse ritmo, será cada vez menos competitivo internacionalmente. A eleição é uma oportunidade de escolher bons nomes para que o “país do futuro” fique menos distante. Aproveite!

 

Esse post foi escrito de Washington D.C., nos Estados Unidos, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com apoio da Fundação Eisenhower.