Alunos da USP leste invadem incubadora e pedem espaço estudantil

Por Sabine Righetti

Um grupo de alunos invadiu nesta quarta-feira, 25, o prédio da unidade leste da USP destinado à incubadora Habits (sigla de “Habitat de Inovação Tecnológica e Social”), onde funcionam três empresas criadas por estudantes da universidade.

De acordo com informações ouvidas pelo Abecedário, os funcionários das empresas que operam no espaço foram surpreendidos no meio da tarde e tiveram de sair “às pressas”, levando equipamentos nas mãos. O local continua interditado por um grupo de estudantes. A USP e o DCE não informaram quantos alunos estão no local.

Em nota divulgada em redes sociais, o diretório acadêmico central da USP justificou a ocupação da incubadora sob o pretexto de que o Espaço dos Estudantes daquele campus teria sido desapropriado. “Tal decisão se deu em razão da desapropriação do Espaço dos Estudantes no dia 27/01, realizada de forma extremamente autoritária e intransigente por parte da direção da Escola”, informa a nota. O Abecedário procurou representantes do DCE, que não quiseram falar com a imprensa.

A situação caótica da USP leste

De acordo com a professora Luciane Meneguin Ortega, que coordena a incubadora na USP leste e também atua na Agência de Inovação da USP, a ocupação atrapalha –e muito– as atividades das empresas incubadas.  Também pode prejudicar o trabalho de futuros projetos. “Não parece fazer muito sentido os alunos invadirem um espaço que é justamente destinado aos próprios alunos”, diz Ortega. Hoje, o espaço pode acolher até 15 empresas incubadas –as inscrições para novos projetos, inclusive, estão abertas.

FOCO SOCIAL

A Habits incuba apenas empresas –lucrativas– criadas pelos alunos com foco social. Uma delas, a Opa! (Orientação Particular e Acompanhada), nasceu no Habits e ganhou há poucas semanas o Prêmio “Mulheres Tech em Sampa”, na Campus Party. O projeto foi desenvolvido pelas estudantes Tássia Chiarelli (formada em gerontologia) e Laís de Azevedo (marketing) –leia mais aqui.

Outro projeto, a empresa Quanti.ca., desenvolve plataformas para ensino a distância e treinamento profissional. Um dos focos do serviço é a acessibilidade de pessoas com deficiência. O Banco Mundial é o principal cliente da empresa. A terceira empresa no espaço é a Libras, que atua com deficientes auditivos.

O Abecedário apurou que o grupo de estudantes está negociando com a diretoria da unidade leste um novo local para as suas atividades. Eles teriam passado um tempo em um anfiteatro da universidade e agora pleiteiam um local definitivo.

Depois de passar boa parte do ano passado paralisada (em greve) e interditada por causa de contaminação de água e de solo –o que incluiu gás metano e risco de explosão–, a ocupação de um dos espaços mais bacanas da unidade leste da USP é um novo balde de água fria para a maioria dos cerca de 4.000 estudantes que frequentam a Universidade de São Paulo próxima a Guarulhos. Mais um.

Dá para estudar assim? Não, não dá. Dá para ser empreendedor social assim? Obviamente que não dá. Para onde exatamente estamos levando a USP leste?