Chalita quer cem creches doadas por empresas até o final do mandato

Por Sabine Righetti

O secretário municipal de educação de São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB), disse que pretende expandir o número de creches públicas na cidade com uma mãozinha do setor privado. A informação é de uma entrevista concedida pelo secretário ao Abecedário e ao jornal “O Estado de S.Paulo”.

De acordo com Chalita, a prefeitura de São Paulo não vai ter dinheiro para construir todas as creches que necessitaria para ter 150 mil novas vagas até 2016, como havia sido prometido pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Um balanço da prefeitura divulgado em janeiro deste ano mostrou que apenas 28% da meta já havia sido entregue (leia mais aqui).

Para driblar o problema, a ideia é pedir para empresas privadas a doação de terrenos e também a construção das creches, respeitando o projeto da prefeitura. A manutenção e administração das creches ficará totalmente a cargo da prefeitura. A meta é ter pelo menos cem creches doadas e mais cem construídas pela prefeitura até o final de 2016.

Para chegar ao número de 150 mil novas vagas, a ideia é aumentar a quantidade de crianças por creche –nas novas e nas já existentes (leia mais aqui). Chalita costuma dizer que é melhor uma creche cheia do que ter crianças fora da creche.

A primeira parceria estabelecida foi com a empresa Carrefour que, de acordo com o secretário, deve construir cinco creches usando o espaço do estacionamento das lojas. Outras empresas, como os shoppings Iguatemi e Aricanduva e o Grupo Pão de Açúcar, também devem dar sua contribuição construindo, com recursos próprios, creches para a prefeitura.

‘NÃO AGRADEÇA, DOE CRECHES’

A prefeitura tem insistido nas doações recorrentemente em conversas com empresários. “Hoje estava em um lançamento de um livro e umas pessoas de cartórios vieram agradecer a ação da prefeitura. O prefeito brincou dizendo: ‘agradeça doando uma creche”, disse Chalita durante a entrevista. “Eu sempre digo aos empresários: se você tem um terreno, um espaço, doe para a gente. Às vezes a prefeitura demora anos para fazer uma construção, precisa licitar. A empresa privada leva três meses.”

E está difícil convencer as empresas a participarem do projeto?

“Estamos tendo algum êxito já”, disse Chalita. De acordo com o secretário, a ideia é “incomodar” os empresários com a ideia das creches e criar uma cultura de doação e participação na educação pública –algo que já acontece com sucesso em países como nos Estados Unidos.

As creches são importantes porque é justamente na primeira infância –de zero a três anos– que acontece boa parte do desenvolvimento das crianças. É nesta fase que, brincando e recebendo diversos estímulos, a criança desenvolve uma espécie de pilar que, mais tarde, vai sustentar o aprendizado cognitivo de línguas, de ciências e até de matemática, além do aprendizado chamado de “não cognitivo” (como a capacidade de se expressar, a auto-confiança etc).

A entrevista de Gabriel Chalita faz parte do programa #GabineteAberto, conduzido pela própria prefeitura de São Paulo. Funciona assim: todas as segundas-feiras, um gestor da cidade é entrevistado por jornalistas, com transmissão vivo no site do São Paulo Aberta. Quem estiver acompanhando também pode mandar perguntas via redes sociais usando a hashtag #GabineteAberto.