Campanha da USP ensina genética por meio de cartazes no metrô de SP

Por Sabine Righetti

Se você circular pelo metrô de São Paulo nos próximos dias pode encontrar passageiros falando sobre genética. É que desde o último dia 23 de maio estão espalhados pela linha verde do metrô os cartazes da campanha “Está no DNA?“, do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP.

São três pôsteres diferentes com perguntas relacionadas ao DNA –uma  substância química que traz as informações para a fabricação de todas as proteínas do nosso corpo. “Ser um excelente atleta está no DNA?”, por exemplo, é uma das questões da campanha.

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A proposta, de acordo com a geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, é instigar as pessoas e convidá-las a pensar sobre ciência e sobre genética. Justamente por isso, a campanha se chama “semear ciência” –a ideia é plantar uma semente que desperte para o conhecimento científico e para a reflexão.

O “semear ciência” e as demais atividades do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP são financiados pela Fapesp, agência que paga por grande parte da pesquisa científica realizada no Estado de São Paulo. A agência, aliás, tem demonstrado cada vez mais interesse pela divulgação dos resultados da pesquisas científica e pelo disseminação do conhecimento científico fora dos laboratórios.

A iniciativa é bem vinda especialmente no cenário brasileiro. De acordo com o último Pisa, exame internacional de estudantes feito em 65 países, ciências é a matéria em que os alunos brasileiros estão mais defasados em relação aos outros países. O Brasil fica em 59º lugar entre 65 países avaliados (leia mais aqui). Os brasileirinhos vão mal principalmente porque falta acesso ao conhecimento científico.

A distribuição dos cartazes no transporte público é ideia do educador Rodrigo Mendes, que trabalha no Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. É uma forma simples de chegar até as pessoas: o passageiro vê o cartaz e acaba usando o  tempo gasto no transporte para, eventualmente, acessar o site da campanha do celular. Assim, acaba aprendendo mais sobre genética.

Foi isso o que aconteceu com mais de 6.000 pessoas que acessaram o site da campanha anterior, “Diferentes, mas semelhantes“. Essa primeira rodada tratava de genes comuns entre o ser humano e outros seres vivos –para se ter uma ideia, 96% dos genes dos seres humanos são iguais aos do chimpanzé! (leia mais aqui). Os pesquisadores agora querem aumentar esse número de acessos.

NA SALA DE AULA

Mas não são apenas os passageiros do transporte público que podem usufruir do conteúdo. A página do projeto também dedica uma seção inteira aos professores que quiserem usar os cartazes para debater sobre genética.

A proposta didática é que a escola distribua os pôsteres pelos corredores e, depois de alguns dias, levante perguntas em sala de aula como: Será que o humor de uma pessoa pode ser determinado pelo DNA?

No ano passado, os cartazes foram distribuídos em todas as mais de 3.000 escolas estaduais paulistas com ensino médio e também circularam pelo metrô de São Paulo e por uma rede de ônibus do ABC paulista.

A campanha atual, sobre DNA, deve ficar pelo menos um mês no metrô de São Paulo e os cartazes também devem circular em uma rede de ônibus de Ribeirão Preto, cidade que fica a 336 km da capital paulista. Outras cidades também podem ter cartazes para distribuir em linhas de ônibus: “Quem se interessar pela campanha pode entrar em contato para receber os cartazes,”, diz a geneticista Eliana Maria Beluzzo Dessen, também do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. As escolas que manifestarem interesse também vão receber o material.

E você acha que a facilidade para aprender está no DNA? Acesse o site da campanha e descubra!