Medicina do Einstein terá prova oral no vestibular e aula sem cadáver

Por Sabine Righetti

A Faculdade de Ciências da Saúde do hospital Albert Einstein –considerado um dos melhores hospitais do país– está com inscrições abertas para o processo seletivo para a primeira turma da graduação em medicina. O curso chega com novidades desde o vestibular: o processo seletivo vai contar com prova oral e as aulas serão baseadas em uma metodologia de aprendizado colaborativo.

Assim como já acontece com enfermagem –curso oferecido pelo Einstein há mais de 25 anos–, a ideia é que as aulas da medicina sejam fortemente baseadas na metodologia “TBL”, sigla em inglês para “aprendizado baseado em equipe”.

Grosso modo, nas aulas com formato TBL os professores saem do papel de protagonistas e passam a mediar os exercícios em sala de aula, resolvidos pelos alunos em equipe. Algumas instituições mais modernas, como Harvard, nos EUA, oferecem disciplinas em formato TBL juntando alunos de vários cursos para incentivar a resolução de problemas de maneiras multidisciplinar.

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Esse formato de aprendizado, de acordo com o vice-presidente da faculdade do Einstein, Claudio Schwartzman, permite que os futuros médicos se preparem, de fato, para o que vão encontrar pela frente. “A área da saúde pode envolver cuidados com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos. São equipes multidisciplinares”, diz.

SEM CADÁVERES

As aulas, por enquanto, serão no prédio da faculdade, no Butantan, que o Abecedário foi conhecer pessoalmente. É lá que ficam as salas de aula com mesas em círculo e os laboratórios que usam recursos de computação para simular o corpo humano –a tradição judaica não permite usar cadáveres.

Até 2018, enfermagem e medicina migram juntos para um complexo que está sendo construído bem em frente ao hospital Albert Einstein, no Morumbi. “A ideia é seguir o modelo norte-americano de ter um hospital e uma instituição de ensino e pesquisa de ponta bem em frente”, explica Olga Farah, gerente de ensino.

Toda essa tecnologia tem um preço: o curso de medicina vai sair por R$ 5.900 por mês. De acordo com Schwartzman, o Einstein espera oferecer até 20% de bolsa para alunos de baixa renda aprovados no processo seletivo –o primeiro vestibular recebe inscrições até 13 outubro; as provas acontecem em novembro.

PROVA ORAL

Por enquanto, medicina terá 50 novos alunos por semestre. Eles serão selecionados por meio de um exame em duas fases. A primeira etapa é tradicional, com testes e questões dissertativas. A novidade é que a segunda etapa da seleção terá uma prova oral: cada candidato passará por oito mini-entrevistas.

De acordo com Schwartzman, a proposta é identificar os chamados aspectos “não cognitivos” dos candidatos, como a capacidade de se expressar, de se comunicar e de liderar uma determinada situação. Essa metodologia de seleção, comum em universidades de países como os Estados Unidos, já tem sido usada no Brasil, mas é uma novidade no caso da medicina. Tudo indica que o Einstein será a primeira escola brasileira a selecionar futuros médicos dessa maneira.

Em enfermagem, 90% dos egressos da faculdade acabam trabalhando no próprio hospital Albert Einstein. E como vai ser em medicina? “Queremos formar médicos que possam influenciar a saúde no Brasil”, diz Schwartzman.