Alunos de direita da USP fazem ‘limpaço’, que termina em conflito; assista

Por Sabine Righetti

A tentativa de “limpaço” na USP promovida por membros do “ViraLivre”, movimento estudantil de direita que está ganhando espaço nas universidades públicas brasileiras, terminou em conflito entre estudantes em pleno campus.

No último 23 de agosto, um grupo do “ViraLivre” teria tentado limpar algumas paredes do prédio da FFLCH (Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP –um dos principais redutos de esquerda da universidade. Na ação, o pessoal do “Livre” teria sido impedido por estudantes da FFLCH, que disseram que os meninos não tinham autorização da USP para o tal “limpaço”.

Alunos da USP, Unesp e Unicamp criam movimento contra greve

A ideia, diz Felipe Lintz, um dos criadores do “Livre”, era utilizar produtos para limpar “paredes pichadas” da universidade, “que é um patrimônio público”.  O nome da iniciativa, “limpaço”, faz alusão aos “trancaços”, fechamentos dos portões da universidade promovidos durante a greve pelos estudantes de esquerda do DCE.

O conflito –que teve troca de ofensas e de tinta– foi registrado em vídeo:

De acordo com Gabriela Ferro, do DCE da USP,  o diretório não teve nada a ver com a ação que impediu o “ViraLivre” de limpar as paredes da universidade. O DCE, no entanto, apoia os alunos que impediram o “limpaço”:

“Havia estudantes da FFLCH por lá, que ficaram bem irritados porque eles [do “Livre”] chegaram com muita arrogância e tiraram cartazes que tinham sido pintados por grupos feministas, marxistas etc”, diz.

Na semana seguinte ao “limpaço”, em 31 de agosto, os membros do “ViraLivre” voltaram à FFLCH para se manifestar durante o “ato contra o golpe”, que acontecia em um auditório, com presença da filósofa Marilena Chauí.

Lintz pediu a palavra para, dentre outros, refutar os palestrantes e demonstrar apoio à legalidade do governo Temer, o que também foi registrado em vídeo:

Com quase 10 mil seguidores no Facebook, o movimento “ViraLivre” está ganhando mais adeptos.

De acordo com Lintz, a próxima etapa será “encabeçar a reforma da previdência”: “Estamos fazendo panfletagem de um material que explica os motivos da reforma”, diz. A reforma da previdência é fortemente criticada pelos grupos de esquerda.