Escola tradicional de SP, Bandeirantes elimina divisão de turmas por área e por notas

Por Sabine Righetti

Conhecida por estimular a competitividade entre seus alunos, o Bandeirantes, uma das melhores escolas do país no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), anunciou que vai eliminar a divisão dos alunos por áreas do conhecimento e por notas a partir de 2017.

Até hoje, funcionava assim: os alunos do colégio escolhiam qual área seguir no ensino médio –exatas, humanas e biológicas– dependendo do que pretendiam prestar no vestibular. Depois, as turmas eram divididas de acordo com suas notas. Para se ter uma ideia, algumas séries de biológicas, por exemplo, chegam a ter cinco turmas, de A (com os melhores alunos) até E.

A escola seguiu essa classificação durante metade de sua história (o Bandeirantes tem 72 anos e deu início à separação de alunos em áreas e turmas em 1980). Em 1990, o Band, como é conhecido, eliminou a separação por notas dos estudantes do fundamental 2 (5º ao 9º ano). A do médio se manteve.

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“Hoje, isso já não faz mais sentido”, diz  Mauro de Salles Aguiar, diretor presidente da escola –cuja mensalidade, no médio, sai por R$3,4 mil.  A ideia da escola é flexibilizar o currículo e permitir que o aluno selecione algumas disciplinas nas quais pretende se aprofundar –algo parecido com a atual proposta de reforma do ensino médio do governo federal.

O colégio também está de olho no desenvolvimento dos chamados “aspectos não cognitivos” dos alunos, que ganham cada vez mais importância no cenário internacional. Isso significa desenvolver habilidades como liderança, comunicação e capacidade de trabalhar em grupo.

Esses quesitos já são cobrados, por exemplo, nos exames de ingresso de direito na FGV-SP, nas engenharias do Insper e na medicina da faculdade do Albert Einstein. Mais: a expectativa é que o exame internacional PISA, da OCDE, passe a agregar aspectos não cognitivos na sua prova que, hoje, avalia línguas, ciências e matemática.

Outro cenário também incentivou a mudança: no Band, quase 10% dos alunos do 3º ano do ensino médio (hoje, são 500 estudantes nessa etapa) aplicam para estudar em universidades do exterior, principalmente dos Estados Unidos, cujos processos seletivos vão muito além das notas. “A expectativa é que em alguns anos 20% de nossos alunos apliquem para universidades estrangeiras”, diz Aguiar.

INTERDISCIPLINARIDADE

Em 2017, além da eliminação da turmas por áreas e por notas, o Bandeirantes vai fazer uma outra mudança importante: as antigas aulas de laboratório de física, de química, de biologia e de artes serão ministradas em conjunto em um novo laboratório de “ciências e artes” –que vai ocupar um andar inteiro do prédio. A proposta é trabalhar por projetos com, simultaneamente, professores de várias áreas.

Bem conceituado entre especialistas de educação, o Band coleciona uma série de personalidades entre seus ex-alunos. Dentre eles, o atual prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP), o político Mário Covas e o jornalista José Simão.