Arábia Saudita, Irã e Turquia estão entre os países que mais mandam estudantes para os EUA

Por Sabine Righetti

Pelo menos três países de maioria islâmica estão na lista dos que mais mandam estudantes para as universidades dos Estados Unidos: a Arábia Saudita, o Irã e a Turquia.

De acordo com um relatório que curiosamente se chama “Open doors” (“Portas abertas”), do Instituto de Educação Internacional dos EUA, quase 10% dos estudantes estrangeiros matriculados hoje em instituições de ensino superior norte-americanas são sauditas, iranianos ou turcos. Isso representa cerca de 100 mil alunos –o suficiente para encher um estádio inteiro do Maracanã e ainda ficar gente de fora.

Os alunos de origem islâmica viraram um assunto no início do governo Trump depois que o novo presidente dos Estados Unidos proibiu a entrada temporariamente de pessoas de sete países que seguem o Corão: Iraque, Síria, Irã, Sudão, Líbia, Somália e Iêmen.

No dia seguinte ao anúncio do veto, um cientista iraniano com bolsa de estudos em Harvard –considerada a melhor universidade do mundo– foi impedido de entrar nos Estados Unidos.

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A lista de Trump causou rebuliço nas universidades americanas. Isso porque as grandes instituições de elite têm, em média, 25% dos seus alunos vindos de outros países. Para se ter uma ideia, hoje há um milhão de alunos estrangeiros em universidades dos EUA, de acordo com o “Open doors”.

A presença de alunos, pesquisadores e docentes estrangeiros é considerada um indicador de qualidade por rankings de universidades. Entende-se que salas de aulas mais heterogêneas formam melhores alunos.

Além disso, a presença de alunos de fora é fundamental para a própria economia das instituições de ensino dos EUA. Para se ter uma ideia, uma universidade como Harvard custa, em média, U$70 mil ao ano (mais de R$200 mil). Quem vem de fora tende a pagar as maiores taxas.

REUNIÃO

A maioria das instituições de ensino já convocou reuniões de emergência com estudantes, pesquisadores e docentes dos países banidos. A recomendação é que ninguém saia do país para férias, visita ou mesmo para participação em congressos científicos –há risco de que, mesmo com visto, essas pessoas não consigam regressar aos Estados Unidos.

Algumas instituições de ensino, como a Universidade de Stanford, na Califórnia, anunciou que falará em breve também com estudantes de países que, por enquanto, estão fora do veto de Trump, mas que podem estar sob “risco”.

Caso do Paquistão e da Arábia Saudita –que, aliás, está entre os três países que mais enviam estudantes aos Estados Unidos.

De acordo com o “Open doors”, o Brasil é o 8º país na lista dos que mais mandam estudantes para as universidades norte-americanas. O visto para os brasileiros, no entanto, ficou mais difícil no novo governo Trump.

Confira a lista abaixo de quem mais envia alunos para universidades dos EUA:

1. China
2. Índia
3. Arábia Saudita
4. Coréia do Sul
5. Canadá
6. Vietnã
7. Taiwan
8. Brasil
9. Japão
10.México
11.Irã
12. Reunido Unido
13. Turquia
14. Nigéria
15. Alemanha

Open Doors 2016