A nova mulher ‘pedreira’ da Copa

Há um fenômeno interessante nesta Copa do Mundo no Brasil: a nova mulher “pedreira”.

São mulheres que tecem longos comentários sobre atributos físicos dos jogadores –assim como fariam os homens, caso o campeonato fosse feminino.

Tudo é assunto: os tanquinhos de quem está em campo (visível, especialmente, em times que usam um novo modelo justinho de uniforme), as pernas ou, sim, a bunda.

Na partida do Brasil contra o México, em que Hulk ficou de fora, a hashtag #nãovaiterbunda foi uma das mais usadas nas redes sociais como o Twitter. A mulherada estava inconformada com a ausência do jogador. “Nosso muso está no banco.” Já os homens, não se conformavam com os posts femininos.

Os elogios do tipo “pedreiro” são aqueles comumente escutados pelas mulheres nas ruas. Sabe quando se passa em frente a uma obra? Então.

‘PEDREIROS’

Ao que parece, o termo “pedreiro” foi cunhado pelas próprias mulheres para classificar os elogios mais “pesados”, com referências sexuais. Mas agora, nesta Copa, as mulheres também estão se mostrando pedreiras.

Qual é o problema disso? Em princípio, nenhum. O curioso é que o fenômeno está causando um estranhamento no universo masculino brasileiro.

Eu já ouvi de tudo.

Um primo, por exemplo, comentou, inconformado, sobre a sua chefe, que falara sobre os atributos do mesmo Hulk (sempre o Hulk!). Um amigo disse que as “mulheres não são mais as mesmas” e que agora estão “mais atiradas”.  Outro reclamava sobre a atenção dispensada às camisetas mais justinhas. “Isso é estranho porque as mulheres são menos visuais.” São?

A reação masculina sobre a “pedreirice” feminina reside em uma questão ligada a questões de gênero e de educação: nós não fomos treinados para isso.

Sim, isso mesmo.

Homens aprenderam a valorizar –e a comentar, inclusive em público,– os atributos femininos. As mulheres não.  Alguém aí já viu uma menina comentando com a mãe sobre um garoto bonito que passou na rua? Eu não.

Por que não?

NA ESCOLA

Esse tipo de treinamento, que define o papel do homem e da mulher, e estipula limites para cada sexo, está presente em casa e na escola. Já escrevi sobre isso aqui no blog.

Esses limites, obviamente, não são naturais. Devemos podar uma menina que comenta sobre a beleza de um coleguinha? Devemos estimular um garoto a chamar uma mulher de gostosa?

Nem uma coisa, nem outra.

Meninas e meninos devem ter o direito de admirar o belo. E meninas e meninos devem respeitar o limite do outro ao externalizar tal admiração.

Você pode até achar uma fulana que está passando na rua bonita, com formas perfeitas, mas gritar “gostosa” pode ser entendido por ela como uma baita agressão. A mesma regra deveria valer para as mulheres.

Regras iguais, papeis iguais, direitos iguais. Vamos debater isso?

Hulk: gigante pela própria natureza

 

Comentários

  1. A mesma regra seria algo do tipo:
    *qualquer pessoa* – homem, mulher, cis, trans, homo, hetero… – tem o direito de falar gostoso/a pra outra pessoa que não se importe ou até goste.

    O problema está em diferenciar, a priori, os que gostam dos que não gostam.

    []s,

    Roberto Takata

  2. Sabine, eu vejo uma grande contradição entre dois pontos do seu texto.

    Primeiro você diz:

    “Regras iguais, papéis iguais, direitos iguais”.

    Até aqui, tudo ótimo. Concordo plenamente com você.

    O problema é que, um pouco antes, você escreveu:

    “(…) Devemos podar uma menina que comenta sobre a beleza de um coleguinha? Devemos estimular um garoto a chamar uma mulher de gostosa?

    Nem uma coisa, nem outra”.

    Ou seja:

    1) não se deve inibir uma garota que fala sobre um garoto (idéia com a qual concordo);

    2) deve-se inibir um garoto que fala sobre uma garota (??!!).

    Obviamente, Sabine, essa sua colocação não corresponde à idéia de igualdade de regras, papéis ou direitos.

  3. André, e depois eu completo: “Você pode até achar uma fulana que está passando na rua bonita, com formas perfeitas, mas gritar “gostosa” pode ser entendido por ela como uma baita agressão. A mesma regra deveria valer para as mulheres.” Mulheres são podadas e homens são excessivamente estimulados. Como eu escrevo, não devemos fazer uma coisa e nem outra.

    1. Mas Sabine, cantadas não arrancam pedaço de ninguém, concorda?

      Se nós instituirmos uma lei da mordaça em relação às cantadas, incorreremos no mesmo absurdo que João Calvino cometeu quando governou Genebra, e criou a tal “Polícia dos Costumes”.

      O mundo já está triste demais. Não precisamos torna-lo ainda pior.

      Um pouco de sacanagem verbal “soft” não destrói a psique de ninguém. Pelo contrário, pode até ser útil, dependendo do dia e da ocasião.

      Desculpe se estou sendo muito libertino, mas é assim que eu vejo a coisa. Acho que homens e mulheres precisam ter o direito de se chamarem de gostosos.

    2. Cara… tem um movimento de uma jornalista, que não me recordo o nome, contra as cantadas de pedreiro, que são consideradas vulgares por 87% das mulheres. E agora me aparece uma situação como essa, ou seja, as mulheres querem se tornar aquilo que elas estão criticando. Muito estranho!!!

  4. Pô, vc acha que eu vou assistir ou ver pessoalmente um jogo de volei feminino pra que ? pra ver manchete, cortada, defesa. rsrsrsrs !
    E vc acha que mulher vai assistir jogo de futebol pra quê ? pra ver golaço e xingar o juiz é claro !
    Ah sim elas estao prestando atençao no jogo, quem ta bem, quem ta mal.
    Olho e pra olhar ! Mas tem umas que nao gostam que algun$$$$ homens olhem, elogiem elas que elas escolacham o pezao.

  5. Parabéns Sabina, pelo comentário apropriado e sem se deixar influenciar por revanchismos. Acredito que foi no ponto correto “Respeito”.
    Sou de uma geração (40 e poucos…) que era comum um homem chamar uma mulher de gostosa na rua sem se importar se ela gostava ou não. Felizmente, apesar de gostar e muito de mulher, nunca fiz esse tipo de “baixaria” mesmo recriminado pelos colegas…
    Hoje trabalho com 5 mulheres e o que ouço delas sobre os homens de nada fica devendo aos meus antigos amigos “pedreiros”.
    Gostaria apenas que me respondesse se não acha que isso passa principalmente pela educação ou a falta dela, dos homens e mulheres de hoje.

  6. Sabine, concordo com você.

    Esse assunto me lembra do curta francês “Opressed Majority”, de Eléonore Pourriat, no qual essa hipocrisia é evidenciada. Os homens podem ser “pedreiros”, mas quando as mulheres o fazem, há um grande estranhamento.

    Homens e mulheres são iguais e devem ser tratados da mesma forma. Se os meninos podem, por que as meninas não?

    Entretanto, o respeito não pode faltar, de ambos os lados. Apreciar a beleza é bem diferente de assediar alguém. Deve-se criar limites bem claros para não desrespeitar nem agredir qualquer pessoa, homem ou mulher.

    Acredito que esse tópico deve ser muito debatido, pois só assim poderemos deixar de ter uma sociedade machista. A igualdade de gêneros pode ter sido atingida na teoria, mas, culturalmente, ainda há muitas modificações necessárias para mudar esse quadro.

    Adoro seus textos, sou uma grande fã de seu blog. Vamos ao debate!

    1. Maria Clara, muito bem colocado: apreciar a beleza é diferente de assediar. São coisas bem diferentes! Abraços e obrigada por acompanhar o blog! 🙂

  7. “Alguém aí já viu uma menina comentando com a mãe sobre um garoto bonito que passou na rua? Eu não.”

    Não sei em que ano você nasceu, mas imagino que você deva ter sido educada num convento. Tenho 65 anos e já na minha época as garotas confidenciavam as suas preferências com as suas respectivas mães.

    A única diferença que vejo hoje em dia é o exibicionismo. Essa sim, parece ser uma doença moderna. Não basta namorar, tem que mostrar a todos que está namorando e, se possível, com riqueza de detalhes.

  8. André, circulo bastante a pé e me sinto muito intimidada com os assédios, ao ponto de atravessar a rua e trocar de roupa para evitá-los. Homens são educados para externalizarem o que pensam sobre o corpo de uma mulher na rua; eles têm esse direito; e eu não tenho o meu direito de não ser importunada ou de me sentir intimidada com um sem-número de grosserias que já ouvi? A coisa é mais complexa. Pra você refletir.

  9. Pronto, agora até futebol virou pano de fundo para se falar de identidade de gênero, construção social. Mulheres pedreiras? Essa Sabine inventa situações com primos, colegas de trabalho que disseram isso ou aquilo e faz um texto e ainda tem gente que paga para isso? Que tipo de homem quer saber se as mulheres são visuais? Eu hein! É Sakamoto com o seu bláblablá diário de homofobia, preconceitos. Tem uma tal de Regina Navarro. Essa daí vive no mundo da lua. Tem agora a nova contração desse site: Guilherme Boulos para ensinar a invadir propriedade alheia. UOL é ladeira abaixo com esses seus escrevedores de botequim.

    1. Gilberto, invento situações? É uma acusação bem grave. “Inventar” não faz parte do meu jornalismo.

  10. Acho que vocês mulheres tem todo o direito de serem pedreiras sim. Podiam até falar do pau dos caras. Só não entendo a fixação com bunda masculina, já que pra vocês, ela não serve pra nada (estou assumindo que não são todas as que “comem” seus parceiros por trás)

  11. Minha avó, que era muito pudica, sempre que via um jogo de futebol mencionava as pernas dos jogadores. “Que pernas”, dizia ela sempre. Ela era de 1909. Então por formação não vejo nada de errado. O jogador é um figura pública, e fisicamente distante. Não ameaça nem é desrespeito.

    Com uma pessoa desconhecida andando na rua é necessário ser muito mais cauteloso e editado, porque um mero elogio pode ser um constrangimento.

  12. Hahaha! Cantada chula que deixa mulher constrangida, ou algum tipo de assédio deve ser banido, mas vendo mulheres pela TV temos liberdade pra dizer qualquer coisa. E as mulheres vendo homens também. Desde que não haja menores no recinto. Agora elas entendem porque gostamos tanto de bundas. Só não entendo o que elas querem fazer com uma bunda.

  13. Hmmm, um primo do vizinho do petshop onde minha tia leva o cachorro comentou que é um absurdo mulher falar sobre a bunda do hulk, o que prova que a sociedade patriarcal estimula meninos a fazer grosserias e meninas a serem pudicas….Daí porque excelente o comentário da leitora Juliana Verônica…faça-me o favor…vc acha memso que alguém se incomoda com o fato de alguma mulher falar da bunda do Hulk ou do abdomen desse ou daquele jogador, ou é apenas um mote para denunciar o “machismo que vigora em nossa sociedade”?

  14. Acho vulgar um homem chamar uma bela mulher de gostosa. Em contrapartida também não aceito (acho vulgar) mulheres falando palavrões à torta e à direita em público, em voz alta, como fazem ultimamente…

  15. As mulheres costumam usar um recurso ao qual denomino “olhar abrangente”… O olhar abrangente das mulheres é aquele em que elas não olham diretamente para o seu ponto de interesse. Seu olhar “paira por perto”, mas não diretamente. Trata-se de um recurso de discrição que elas usam a fim de “não encher nossa bola”. Acertei???…

    1. Homem ?

      vc quer dizer enrustido.
      Homem que e homem gosta de mulher.

      Hj em dia a mulher nao depende de homem pra nada – sao bem independentes, entao, nao tem mais pq esconder o que pensa. Quem trabalha com elas sabe que os comentarios delas sao daí pra baixo.
      Ainda vendem uma mulher “retratada” pelo Alvares de Azevedo que so existe na cabeça de romanticos.
      Mulher e sexuada igual homem, sente tudo que o homem sente, faz tudo o que o homem faz, mas nao gostam que ninguem fique sabendo. Conheço um monte que da seus pulinhos longe dos conhecidos.
      E isso nao e novo ” pedreiras ” ja existem ha um bom tempo.

  16. Belas bundas femininas são alvo da cobiça tanto das mulheres quanto dos homens (sem hipocrisia)…

  17. Discordo completamente, ninguém está descriminando o que uma mulher diz aos homens , como vc disse pedreiras,mulher nem gosta de futebol só gosta de copa do mundo, alias teve um cartaz que uma moça queria morder o bumbum do Hulk, imagina se fosse um homem fizesse isso pra uma mulher , já teriam sido preso e julgado pelas feministas , não confunda as coisas.existe um sexismo da parte das mulheres.

    1. Quem disse que mulher não gosta de futebol? Nos EUA futebol é um esporte prioritariamente feminino…

  18. Enquanto cursei a faculdade, duas copas ocorreram, lá nos anos 90. E os comentários na aula após os jogos eram sempre sobre os jogadores musos. Não é novidade isso acontecer durante as copas. Nas olimpíadas de inverno, as roupas justas dos atletas, homens e mulheres foram comentadas no mundo todo. é platônico. Não é grosseiro como as cantadas dos pedreiros.

  19. Eu sou heterossexual.

    Mesmo assim, sou OBRIGADO a aceitar dois machos SE BEIJANDO publicamente, trocando fluidos corpóreos na frente de todos.

    Até aqui, tudo péssimo. Mas tudo bem.

    Não bastasse isso, agora querem CRIMINALIZAR a cantada?

    (lembrando: cantada NÃO É o mesmo que assédio sexual, nem estupro, nem nada disso).

    Me poupem.

    Que tipo de mundo vocês estão querendo criar? Que tipo de “Novo Homem” vocês estão querendo construir?

    Socorro!

    1. André FG, quando você se anuncia heterossexual parece estar em busca de autoafirmação da sua masculinidade…
      Não vejo mal nenhum em 2 machos se beijarem publicamente. Tudo péssimo por que?
      90% das cantadas que damos nas mulheres não resultam em nada. Não conseguimos levá-las para a cama…Estou me referindo a belas mulheres. “Trubufu” não vale…
      Conclusão: Melhor mudar o discurso…Melhor mudar o tipo de abordagem, ser mais criativo…

    2. André FG, ver 2 pessoas se amando, em público, independente do sexo, é coisa de primeiro mundo. Ainda vai demorar um tempo para acontecer no continente sul americano…Abaixo o preconceito!!!…

      1. Isso me faz lembrar uma tia que tenho (muito bonita, por sinal)… Vinha no ônibus abraçada e aos beijos com seu próprio filho, já rapaz de uns 20 anos. Foram mal interpretados por outros passageiros que a chamaram de “”velha conquistadora de garotos”…Quase foram agredidos pela cena…

    3. André, a cantada pode não ser agressiva para você, mas para quem recebe é bastante agressiva, sim, dependendo de como funciona. Eu me sinto extremamente agressiva quando estou indo almoçar à trabalho com colegas e alguém passa e grita “gostosa” na frente de todo mundo. Isso é extremamente agressivo. Eu não sou obrigada a descobrir, aos gritos, o que um desconhecido pensa de mim na rua…

        1. Na rua, em público, vindo de alguém que não conheço, não, NUNCA, simplesmente porque isso não é um elogio, mas uma agressão.

  20. Ótimo texto Sabine!

    Penso que o respeito tem que vir em primeiro lugar para interagirmos com outra pessoa, se somos estranhos para alguém, temos que entender que uma cantada desse tipo pode ser invasiva, constrangedora, ofensiva. Portanto vejo que a questão é o relacionamento que se coloca entre múltiplos seres humanos.

  21. Sabine, que postezinho mais sem vergonha, hein. O problema dele nem é falar de algo tão irrelevante (mesmo você tentando dar uma conotação “sociológica” ao assunto, o que, aliás, fracassou redondamente: sou do movimento feminista de Brasília e posso afirmar isso com a mesma segurança com que você afirma tantos impropérios, e ainda usa o velho recurso do “sim, isso mesmo”, como se fosse a dona da verdade). O maior problema é você querer dizer que algo que acontece há anos é um fenômeno recente. Por favor, né? Isso é factoide descarado. Tá sem assunto, filha? Feminismo é coisa séria. Você tá rebaixando a luta. E fazendo um jornalismo duvidoso.

  22. Espero que você seja ao menos honesta e tenha a coragem de publicar o meu comentário. Do contrário, carta ao jornal.

    1. Mara, como já disse anteriormente, todos os comentários neste blog são publicados, a menos que tenham incitação à violência e palavrões. Mas se quiser mandar uma carta ao jornal, fique à vontade. Você pode mandá-la ao Painel do Leitor ou à ombudsman. Abraços, Sabine.

  23. “Abecedário: Universidades, escolas e rankings”

    Por favor, se é para fazer apologia ao feminismo rastaquera, tenha a dignidade de mudar a temática e o título do seu blog. Do jeito que está trata-se de propaganda enganosa da pior espécie.

    Todas as suas “informações” são obtidas de terceiros: “ouvi falar, me disseram, meu primo disse…” Não existe sequer a coragem de assumir públicamente a sua tosca tentativa de discutir gênero em tudo o que aparece.

    Aproveite e mude também a descrição “especialista” em políticas de Educação. Não se coaduna com a realidade…

    1. Justo, plenamente de acordo com vc. Fiz um comentário muito parecido com o seu, mas Sabine me censurou: não teve coragem de deixar visível.

  24. Justo, não perca seu tempo, meu caro.

    Você está lidando com gente que acredita que sexo é uma “construção social”.

    Os caras não levam a sério as diferenças entre os genes XY e XX.

    1. Mara, todos os comentários neste blog são publicados, a menos que tragam palavrão ou incitação à violência.

  25. – Feminista até casar.

    – Comunista até ficar rico.

    – Ateu até o avião começar a cair.

    (Internauta Anônimo)

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