Abecedário

Universidades, escolas e rankings

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Produzido pela repórter Sabine Righetti, blog esmiúça dados do RUF (Ranking Universitário Folha) e de outras avaliações de educação, além de abordar o que acontece nas salas de aula do ensino infantil à universidade.

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Quem não sabe debater xinga

Por Sabine Righetti

Faz um tempo que eu estava planejando escrever sobre argumentação e debates. O meu último post “O mundo será melhor quando os meninos brincarem de boneca” foi o estímulo que me faltava.

Explico.

Até o momento em que escrevo essas palavras, o post sobre meninos e bonecas coleciona quase 300 comentários. Eu não contei, mas chutaria que pelo menos 80% deles não trazem argumentação, mas xingamentos.

O post defende a ideia de que as crianças sejam deixadas livres para brincar com o que quiserem, sem que pais e educadores determinem o que é de menino e o que é de menina. Simples assim.

No meu debate, convido os leitores a refletirem sobre de onde vem a ideia de que rosa é para meninas e azul é para meninos.

Nos comentários, fui chamada de lésbica, nazista, petista, ativista do homossexualismo. O texto foi chamado de patético, fútil, inútil. Um leitor me convidou a morrer.

Dentre os que discordaram de mim, poucos leitores trouxeram de fato argumentos sobre o texto e novos convites à reflexão.

Lembrei, então, dos debates dos quais participei na minha temporada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Lá, assim como em qualquer instituição de ensino americana, debates são extremamente comuns e fazem parte da rotina desde a escola.

Os alunos aprendem a debater defendendo suas ideias sem atacar o interlocutor pessoalmente.

Ou seja: se eu discordo de um texto, eu argumento contra o texto. Mas não chamo o autor de feio, bobo ou burro.

BONS DE DEBATE

Isso faz com que os americanos sejam muito bons em debater em alto nível sem que os debatedores deixem, por exemplo, de ser amigos.

Já vi dois debatedores saírem da sala de aula após uma discussão fervorosa e seguirem para tomar uma cerveja como bons e velhos amigos.

Não é incrível?

Falta, no nosso sistema educacional, o incentivo ao debate, à argumentação e à contra-argumentação. Faz falta que os professores convidem os alunos a pensarem sobre aquilo que eles estão ensinando e perguntem: “o que você acha disso?”

Não aprendemos a debater. E, sem saber como agir, acabamos xingando aquilo com o qual não concordamos.

Tentei responder a maioria dos meus posts ofensivos convidando os leitores a desenvolver a crítica que queriam fazer.

Muitos ainda não me responderam de volta. Mas já fico feliz que meu blog esteja servindo como um espaço de treinamento para promover uma discussão em alto nível.

E convido todos os que estiverem lendo o post a participar disso!

 

Sobre o post anterior, vale a pena ler: O mundo será melhor quando as meninas brincarem de guerra 

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