Procura-se desesperadamente uma biblioteca

Ando um pouco monotemática. Tenho falado muito sobre a minha tese de doutorado, que estou escrevendo com muito suor.

Com o pouco tempo livre que tenho, escrevo durante à noite e aos finais de semana.

O problema é que não me concentro em casa. Por isso, procuro desesperadamente uma biblioteca para me concentrar, estudar e escrever.

Mas não encontro.

Na universidade na qual faço doutorado, a Unicamp, as bibliotecas funcionam em horário comercial e, algumas, à noite.

Aos finais de semana, esses espaços abrem apenas aos sábados até 13h. Ou seja: quem precisa estudar aos sábados à tarde ou aos domingos não tem chances.

A mesma coisa acontece nas bibliotecas da USP: nenhuma delas abre aos domingos. E estamos falando da melhor universidade do país.

24 x 7

Lembrei que quando estava estudando nos Estados Unidos, na Universidade de Michigan, a maioria das bibliotecas funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana.

Tinham bibliotecários e tudo mais. E estavam sempre lotadas, incluindo aos domingos e  madrugadas.

Se eu não quisesse ir até a universidade, poderia caminhar duas quadras até a biblioteca pública do meu bairro.

RARIDADE

De volta a São Paulo, comecei a rodar a cidade atrás de bibliotecas públicas com horários flexíveis. Deve ter alguma, pensava.

Acabei descobrindo que, bom, a cidade mal tem bibliotecas públicas, muito menos com horários flexíveis. Em São Paulo, cidade com 11 milhões de pessoas, apenas sete bibliotecas públicas abrem aos domingos.

Estamos falando de um país em que esses espaços ainda são raridade, apesar de as bibliotecas serem obrigatórias: a lei de bibliotecas determina que todas as instituições de ensino tenham biblioteca até 2020.

Já existe até uma campanha, Eu quero a minha biblioteca, chamando atenção para o assunto e para o cumprimento das metas do governo.

FORA DA SALA 

Ter bibliotecas pelo menos nas instituições de ensino é importante para que todos os estudantes do país, nos mais variados níveis, tenham um espaço de pesquisa e de estudos.

As aulas expositivas são apenas uma parte do aprendizado. Outra etapa importante é realizada fora da sala de aula, ou seja, nas bibliotecas.

Como podemos ter bons índices de educação se nem temos bibliotecas?

Ou como podemos ter alunos estudiosos se temos bibliotecas com horários tão restritivos?

 

Comentários

    1. imagine aqui em Brasília que é capital do país…é uma vergonha…aqui procura-se uma biblioteca para estudar aos finais de semana e não há, com exceção da UNB, mas que para muitas pessoas fica longe.
      tem uma tal de biblioteca nacional que construiram e gastaram uma baba, mas pasme…ela só funciona durante o horário de expediente ou na máximo até 20horas, aí eu que não sou vagabunda e trabalho para sobreviver quero estudar a noite…aí a biblioteca está fechada…
      por favor uma campanha para que essas poucas bibliotecas que existem funcionem em horários em que as pessoas possam usufrir delas.

    2. Sem contar a infraestrutura das que existem, totalmente abandonadas. O centro cultural em sp as cadeiras são de madeira, justamente para não permitir que as pessoas estudem. Esse é o governo de sp, esse é o psdb do alquimin.

    1. Bibliotecas do Centro Cultural São Paulo:
      Biblioteca Sérgio Milliet – 3ª a 6ª feira, das 10h às 20h (entrada permitida até 19h30); sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval e Páscoa), das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30)
      Biblioteca Louis Braille – 3ª a 6ª feira, das 10h às 20h (entrada permitida até 19h30); sábados das 10h às 19h (entrada permitida até 18h30)
      Gibiteca Henfil – 3ª a 6ª feira, das 10h às 20h (entrada permitida até 19h30); sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30)
      Sala de Leitura Infanto-juvenil – 3ª a 6ª feira, das 10h às 20h (entrada permitida até 19h30); sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval e Páscoa) das 10h às 18h
      Discoteca Oneyda Alvarenga – 3ª a 6ª feira das 10h às 20h (entrada permitida até 19h30); sábados, domingos e feriados das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30). Horário de audição de discos – De 3ª a 6ª feira das 10h às 19h; sábados, domingos e feriados das 10h às 17h

      Perto de vc, Schatz Sabine!!!

      1. Oi Rose, querida! Obrigada pela mensagem! São poucas para uma cidade de 11 milhões de pessoas, não? Beijos!

        1. Estas são só as do CCSP. Tem todas as outras de bairro, temáticas, etc… além da Mário de Andrade. Estão todas no link que enviei.

          1. Mas se tivéssemos mais bibliotecas incríveis, acolhedoras e aconchegantes, teríamos mais leitores? eu aposto que sim!

          2. Talvez, mas tenho algumas dúvidas. De qualquer maneira, o que eu mais gosto dessa biblioteca que eu indiquei são algumas coisas:

            0) Está no bairro mais legal da cidade.

            1) Tem gibiteca (que inclui umas três malas de gibis que foram meus)

            2) Sempre tem crianças por lá, o que dá vida ao lugar (embora nem sempre garanta o silêncio)

            3) Tem a máscara mortuária do Monteiro Lobato

            4) Tem uma confeitaria bem decente, embora idiossincraticamente atendida, do outro lado da rua

  1. Oi Sabine, eu também senti muito a dificuldade que vc relata. Eu gostava de estudar na biblioteca do IEL, ficava até ela fechar e ia para os bancos de concreto ao lado da biblioteca. Outro lugar que eu encontrei digno de aplausos foi no Rio de Janeiro na Biblioteca do Espaço Cultural do Banco do Brasil no centro da cidade, funcionava (não sei o horário agora) de terça a domingo das 10h as 21h, um lugar perfeito pra estudar, com a exceção (novamente não sei como está agora) de não se poder levar livros próprios ou apenas uma pequena quantidade de papeis dentro da biblioteca.

    1. Oi Daniel. A biblioteca do CCBB esteve fechada para reforma, mas reabriu e continua funcionando nos mesmos dias e horários e com a qualidade de sempre, ainda mais bonita.

    1. Cristina, eu sei, mas os horários são muito rígidos! Nenhuma delas abre aos domingos, por exemplo. abraços, Sabine

      1. Oi Sabine, o Centro Cultural São Paulo abre de 3ª-6ª das 10h00-20h00, sábados e domingos das 10h00 as 18h00. Acho que pode te ajudar!

  2. “Lei da biblioteca”? Sério que isso existe?
    Eu já tinha lido algo sobre o hiperativismo jurídico no Brasil, mas essa lei foi a gota de água.
    O país realmente chegou ao fundo do poço.

    1. Nagib, por que “ativismo judiciário”? A lei partiu do Legislativo, ora. Foi proposta pelo deputado Major Fábio, do DEM da Paraíba.

      Não há aqui juízes tentando suprir lacunas na lei ou atuando politicamente.

      Agora, eu concordo com você que é horrível pensar que tenha que haver uma lei para obrigar algo tão fundamental quanto bibliotecas em instituições de ensino.

      1. Verdade, Desirée. Eu me expressei mal.
        Além do hiperativismo judiciário, há também o hiperativismo legislativo.
        Obrigado pela correção.

        1. sandro meu caro, reveja seu comentario, pesquise um pouco antes de dizer algo que não saiba..”bibliotecas para que?” pense nisso..

  3. Vá até a Starbucks, com seu laptop e fones de ouvido. Sempre achei o ambiente bem propício a escrever — sem falar no café, é claro.

  4. A gente vive sob a ditadura do horário comercial. Aqui, na cidade de São Paulo, os museus fecham às segundas e terças de Carnaval, por exemplo, e só voltam a abrir na Quarta de Cinzas após o meio-dia. Ou seja, fecham as portas num feriadão prolongado no qual muita gente fica na cidade e muita gente vem de fora pra cá. Isso é tão esdrúxulo quanto seria o sujeito ter um restaurante, mas fechar o estabelecimento nos horários de almoço e jantar. Equipamentos culturais e de lazer deveriam estar sempre abertos aos sábados, domingos e feriados e, nos dias de semana, até tarde da noite. Ninguém aqui está querendo inventar a roda, nossos hermanos argentinos já fazem assim, em Buenos Aires. Queria registrar, também, que a Casa Verde, onde moro, não tem uma única biblioteca pública sequer, nem das que funcionam das 9h às 17h.

  5. Olá, adorei seu texto, sinto me perdida também quando o assunto é esse.
    Sou bibliotecária, sinto a falta de bibliotecas não somente para meus próprios estudos, mas também para ter um ambiente adequado para incentivar a leitura.

  6. Pois é Sabine… Lendo seu texto eu chego à conclusão que a viagem no tempo não depende do tempo e sim, da geografia. Estamos na Idade Média?, vc pode perguntar – e eu respondo: com um pouquinho mais de esforço chegaremos em breve nela. Cultura é opção, estado de espírito, vontade. Agora eu te pergunto: quantos músicos americanos, ingleses ou europeus vc consegue enumerar nos dedos de sua mão que não sabem ler partituras? E quantos músicos brasileiros vc consegue enumerar nos dedos de sua mão que sabem ler partituras? Minha sugestão: procure um “sebo” 24 horas. Tem milhares de livros e vc não será importunada.
    P.S. Há muitos músicos brasileiros excepcionais e talentosos que sabem ler partituras e eu espero ter a honra de ouví-los, de preferência nesta vida.

  7. Desde que uma professora assumiu a prefeitura de Guarujá, SP, a biblioteca desapareceu da cidade.

  8. É relevante reivindicar mais (e melhores) bibliotecas, e é relevante reivindicar que estejam abertas pelo maior tempo possível. Trata-se de uma causa coletiva da maior importância.

    Ao mesmo tempo, seria interessante investigar os motivos pelos quais você não consegue concentrar-se em sua própria casa. E isso só você pode fazer.

    1. Mário, casa não é exatamente um ambiente de estudos. É casa: tem gente, cachorro, telefone, bagunça. Sempre estudei em bibliotecas. Imagino a quantidade de pessoas em idade escolar que deve ter essa mesma questão, mas não encontra um espaço para estudar. Nos EUA eu passava os finais de semana inteiros nelas! abraços e obrigada pelo comentário, Sabine

      1. Sabine, uma casa é exatamente o que queremos ou precisamos que ela seja. E sempre será mais fácil modificar a própria casa do que modificar um país – ainda que essas coisas, evidentemente, não estejam desconectadas. Numa democracia sempre é possível negociar, e democracia começa em casa. Podemos conversar com as pessoas, podemos tirar o telefone do gancho, e até mesmo o cachorro há de compreender que precisamos de um espaço só nosso. Pessoas em idade escolar com esse tipo de problema podem – e devem – reivindicar soluções junto às autoridades. Porém antes de qualquer coisa elas podem e devem conversar, negociar e produzir os espaços (e os tempos) de que necessitam; sobretudo se vivemos num país como o Brasil… Abraços e boa sorte no doutorado.

        1. Mário, se eu quisesse apenas modificar a minha casa (e a minha realidade) eu não seria jornalista. Eu quero modificar a realidade da cidade, do Estado e do país. É justamente por isso que escrevi esse texto. Temos todos de cobrar por mais bibliotecas para todos. É um bem comum. abraços, Sabine

          1. Sabine,

            “Antes de iniciar o trabalho de mudar o mundo, dê três voltas dentro de sua casa”.
            (Provérbio Chinês)

            Abs.
            Nagib.

          2. Nagib, minha casa não está em questão. Eu APENAS gosto de estudar em bibliotecas e, por isso mencionei o fato de que elas não existem em horário flexível no Brasil, coisa que não acontece nos países desenvolvidos. ESSA é a discussão aqui colocada. E que tal elevarmos o nível do debate para sairmos de provérbios e de frases prontas?. abraços, Sabine

          3. Sabine, acho que sua casa está em questão, sim. Lá em cima, você disse e reiterou que prefere bibliotecas porque sua casa é uma bagunça. Foi você quem disse isso.
            Então, cara colunista, o que eu e alguns estamos tentando lhe sugerir é que você primeiro trate de arrumar a bagunça do seu quarto, antes de levantar bandeiras que você nem sabe se realmente são prioritárias para a sociedade brasileira. Você NÃO É o centro do Universo, ok?
            Quanto ao que você chamou de “frases feitas”, na verdade são provérbios.
            Pegue um livro qualquer do Lévi-Strauss e você aprenderá que provérbios são um poderoso repositório da cultura e dos valores de um povo. Muito mais enriquecedores do que a pseudointelectualidade prepotente de muitos colunistas que andam soltos por aí.
            Abração!
            Nagib.

          4. Nagib, a sua solução para o problema de falta de bibliotecas do país é que EU arrume o MEU QUARTO? Desculpa, mas eu ri. É justamente porque eu não sou o centro do universo que volto a dizer: o que eu faço não está em questão. O que está em questão, e que acho que ficou bem claro no post, é a falta de bibliotecas. abraços, Sabine

          5. Sabine, com toda a paciência do mundo eu lhe recomendo: leia novamente o provérbio chinês que eu coloquei lá em cima. Releia-o tantas vezes quantas forem necessárias à sua compreensão.
            Se no fim das contas você não conseguir MESMO entender o que o provérbio quis dizer, então pelo menos faça um favor às futuras gerações de estudantes brasileiros: deixe de lado a pretensão de trabalhar com Educação e vá cobrir chacinas na periferia de SP ou do Rio. É um jeito menos chique, mas com certeza muito digno de se exercer essa sua nobre profissão de jornalista.
            Abração!
            Nagib.

          6. Sabine, se você tivesse entendido o provérbio, estaria agora arrumando a sua casa e educando o seu cachorro, em vez de ficar aqui defendendo idéias que só fazem sentido dentro da sua cabeça.
            Eu já testemunhei você dizendo que o mundo será melhor quando meninos brincarem de bonecas e agora vejo você dizendo que mais bibliotecas geram mais leitores. O que você pensa que este fórum é? O diário cor-de-rosa de uma menina mimada, onde é possível escrever impunemente sobre fadas e duendes? Trate com respeito a inteligência do leitor e pare de nos subestimar com a proposição de nexos causais que só existem na Terra do Nunca.
            Honre aquele título de doutora que vão lhe dar.
            Abraços,
            Nagib.

          7. Nagib, não sou menina e muito menos mimada. Sou uma mulher formada em jornalismo com três pós-graduações, incluindo uma no exterior, e também sou pesquisadora, professora e autora de dois livros sobre educação, o que, sim, me dá gabarito para ser a única colunista de educação do maior jornal do país. Se você não concorda com o que escrevo e se não está disposto a debater, já que só me agride nos seus comentários, visite outro site. Abraços, Sabine

          8. Sabine, eu sequer estaria aqui se quisesse “apenas” modificar minha casa e minha realidade. E certamente não estou aqui porque queira modificar sua casa e seu modo de vida; nada disso me concerne. Estou aqui apenas para deixar registrado que a mensagem “reivindique bibliotecas abertas 24 horas por dia e, enquanto as benditas bibliotecas não chegam, esforce-se para transformar sua própria casa num lugar de estudo” é muito mais potente (e transformadora) do que a mensagem “casa não é ambiente de estudos e, portanto, só nos resta reivindicar bibliotecas abertas 24 horas por dia”. Abraços.

          9. Mário, como jornalista meu esforço é para fomentar debates e levar questões, como a falta de bibliotecas, ao poder público. Eu tenho muito recursos para resolver o meu problema. Posso montar um escritório, posso flexibilizar meu horário de trabalho, posso fazer imersões de estudos aos finais de semana como tenho feito. Mas a maioria dos brasileiros não pode. É sobre isso que o texto trata. Abraços, Sabine

          10. Sabine, você já percebeu que em momento algum eu me posicionei contra a “causa” das bibliotecas. Mas, como filósofo, sou forçado, por dever de ofício, a ressaltar o seguinte: não se sabe o que um corpo pode. Se por um único instante “eles” chegarem a acreditar que “não podem”, como você afirma, estarão derrotados de antemão. Sim, eles podem, e podem desde já, apesar de todas as dificuldades; e poderão mais ainda se tiverem acesso a bibliotecas eletrônicas, e poderão ainda mais se tiverem acesso, como todos nós queremos, a bibliotecas de papel bem equipadas funcionando a pleno vapor. Em resumo, você, como jornalista, cumpre seu dever de ofício admoestando o poder público; mas eu, como filósofo, também cumpro meu papel quando digo que o desafio da vida (ou seja, de cada vivo) é precisamente esse: ir até o fim do que pode “no matter what”. Abraços.

    2. Se o Brasil investisse em espaços culturais acessíveis para todos, não precisaríamos ler estes comentários absurdos. Claro que a realidade do nosso país exige outras medidas de urgência, porém sem educação não se faz sociedade. E sim, bibliotecas aconchegantes, receptivas e bibliotecários que bem se relacionam com seus usuários formam leitores. Em Porto Alegre a biblioteca do IPA abria de madrugada, porém com poucas procura foi fechada no período noturno. Acredito que para conseguirmos alcançar as bibliotecas de países desenvolvidos precisamos de mais incentivo por parte da escola, governo e família, um trabalho em conjunto.
      A biblioteca da PUCRS fica aberta até as 22:30.

  9. O problema maior é a falta de pessoal qualificado e os baixos salários pagos aos funcionários e principalmente a bibliotecários, trabalho em uma biblioteca em um cidade pequena, mas fiz questão de pelo menos abrirmos o dia todo sem fechar para o almoço até as 20h, mas nem todos tem essa disposição e percebem a importância disso, são funcionários que trabalham e não sabem a importância destes ambientes para o crescimento de um país.

  10. Bine,
    Legal você levantar essa questão do número de bibliotecas em São Paulo.
    Mas para as questões 24X7 e horários flexíveis eu acredito que precisam ser discutidas levando outros fatores em consideração..
    1) Segurança – Você vai sair da Folha às 11pm e se sentir segura para ir a uma biblioteca pública e ficar lá de madrugada escrevendo a sua tese?
    2) Demanda – Quantas pessoas em São Paulo sentem a necessidade de uma biblioteca funcionar 24X7? Existe demanda para isso?
    3) Custos associados – Quando custaria para o estado contratar bibliotecárias para uma biblioteca funcionar 24X7? Um google rápido me mostrou que o piso de bibliotecárias é R$ 2.220 (oito horas diárias). Além é claro do adicional noturno, um acréscimo de 20%. Você acha que isso seria um bom investimento do dinheiro público?
    4) Funcionários – Por um salário de R$ 2.660, existe funcionários interessados em fazer uma jornada da meia-noite as 8am?
    Eu sinceramente acredito que o Brasil tem outras prioridades, especialmente em se tratando de investimento público.
    Eu vivo em uma país em que tudo é 24X7 e sinceramente não vejo necessidade disso. As pessoas ficam mal acostumados e se esquecem que todos precisam de tempo para lazer, atividades físicas ou para fazer algo que não seja relacionado como trabalho remunerado..estudar, voluntariado, tempo para família etc.
    O lado bom é que gera empregos e movimento a economia, mas as idéias precisam ser viáveis…gastar dinheiro público para manter bibliotecas 24 horas para atender meia dúzia de gato pingado em um pais tão precário quanto o Brasil é, na minha opinião, no mínimo desnecessário.
    Por um mundo menos 24X7 e mais a favor do ócio criativo…
    Como eu sempre te digo…take it easy my friend!

  11. Bibliotecas para que? Nossas escolas públicas estão muito mal, totalmente abandonadas, ou melhor, já estão sendo incendiadas (Recanto Campo Belo/ DRE Sul 3). As universidades públicas estão à beira da falência. Nesse ponto de vista, não fica difícil ver a falta de bibliotecas disponíveis (não precisa ser 24 horas). Aliás, até os cursos de biblioteconomia estão desaparecendo por falta de alunos; não há postos de trabalho para bibliotecários.

  12. Prezada Sabine, espero não ser grosseiro ou injusto, mas há uma grande hipocrisia na maior parte dos comentários desta pastagem. Veja que a maioria das pessoas que se rebelaram contra seu texto são aquelas que trabalham em bibliotecas de São Paulo, logo suspeitas para fazer a defesa da questão, uma vez que fica parecendo que estão defendendo seus próprios interesses. Em SP, assim como no restante do Brasil faltam bibliotecas. Falo isso como bibliotecário e editor de uma revista (biblioo.info) dedicada ao tema. Como profissionais da área, o primeiro passo que poderíamos dar para superar esse problema seria admitir a nossa carência de espaços culturais deste tipo. Por fim, lanço o desafio: tente identificar com facilidade as bibliotecas da sua cidade.

    1. Parabéns pelo comentário!!!
      Até que enfim alguém escreveu algo que valeu
      a pena ler.
      OBS: a Sabine apenas levantou uma bandeira.
      Não sei porque o pessou está tão irritado.
      Sorry!!!

  13. Pois é, Sandro… aparentemente, o brasileiro não está nem um pouco interessado em estudar.
    Há exceções, claro, mas são irrisórias.
    No grosso da população, ninguém quer saber de nada.
    Acho engraçado quando leio reivindicações sociais relativas à instrução. Até parece que a molecada brasileira está chorando lágrimas de sangue, de tanta vontade de aprender tabuada… rsrsrsrsrs

  14. Sou estudante de Biblioteconomia e vejo as dificuldades dessa profissão no meu cotidiano. No entanto, não vou ficar justificando erros e acertos dos profissionais, do governo ou mesmo dos usuários. Acho que o seu modelo de biblioteca é válido e vale a pena ter a aplicabilidade pesquisada. Então, o que realmente nos impede de abrir uma biblioteca 24X7?

  15. Olá preciso do e-mail da autora dessa matéria… Estou desenvolvendo um TCC acerca do ensino superior.

    Desde já agradeço.

      1. Obrigado!!! Querida Sabine vou enviar agora… Acredito, que poderá ajudar-me no meu TCC!!!

        Um beijão.

        Sempre com muita motivação.

  16. Aviso aos navegantes: a “cumpanheira” Sabine é democrática até o ponto em que ninguém questiona a superficialidade dos seus argumentos e das suas teses.
    Ironia, então, ela não suporta.

  17. Querem saber? Não vale a pena participar de um fórum onde a censura prevalece. É uma perda de tempo.
    Passar bem, dona Sabine.
    Nagib.

  18. Sabine, gostei de seu post…Sou bibliotecária e achei ótima a sua colocação não apenas pelo fato de gerar mais empregos, mas pelo fato de criar-se um hábito mesmo, pois sei da dificuldade de ter um lugar pra estudar, ler é possível e viável…Acredito que a biblioteca deve fazer parte da vida das pessoas desde do ensino infantil para que possa formar cidadãos críticos….Infelizmente no Brasil, não interessante formar cidadãos cientes dos seus direitos, e sim distribuir bolsas…Para que o país acabe com a desigualdade é necessário a formação deste dos primeiros anos.

  19. Não faz muito tempo fui à Biblioteca Mário de Andrade, que ficou fechada um loooongo tempo e reabriu após a sua “reforma”. Queria ler dois textos na minha hora de almoço. Não encontrei nenhum dos dois. Resolvi ler um texto que havia no meu smartphone. Fui repreendido pela bibliotecária, que me mostrou o aviso que de que era proibido o uso de celular. Argumentei que não estava usando o celular, mas lendo um texto. Ele repetiu que era proibido, além do mais eu estava “sentado em lugar errado” (?); ali só poderia sentar e ler quem pegasse livros daquela seção. Por quê? “Para não tomar lugar de quem pega o livro aqui!” Mas não tem ninguém aqui além de mim! “Mas não pode”. Resumo: não li nada, irritei-me, perdi o fio de esperança em bibliotecas, que vão de mal a pior, tal qual a cultura de nosso povo tolo.

    1. Marlon, que ótimo depoimento. Quer dizer então que só podemos ler textos em papel em pleno século 21? Estamos muito atrasados. Abraços e obrigada pela participação, Sabine

  20. Não faz muito tempo fui à Biblioteca Mário de Andrade, que ficou fechada um loooongo tempo e reabriu após a sua “reforma”.

    Queria ler dois textos na minha hora de almoço. Não encontrei nenhum dos dois.

    Resolvi ler um texto que havia no meu smartphone. Fui repreendido pela bibliotecária, que me mostrou o aviso que de que era proibido o uso de celular.

    Argumentei que não estava usando o celular, mas lendo um texto. Ele repetiu que era proibido, além do mais eu estava “sentado em lugar errado” (?); ali só poderia sentar e ler quem pegasse livros daquela seção. Por quê? “Para não tomar lugar de quem pega o livro aqui!” Mas não tem ninguém aqui além de mim! “Mas não pode”.

    Resumo: não li nada, irritei-me, perdi o fio de esperança em bibliotecas, que vão de mal a pior, tal qual a cultura de nosso povo tolo.

  21. Sabine: Sem tomar partido, apenas para esclarecer uma questão em relação à lei que obriga as instituições de ensino a ter bibliotecas dirigidas por bibliotecários: não temos profissionais formados em quantidade suficiente para preencher os cargos, mesmo que as bibliotecas funcionem apenas no horário comercial. Fica difícil então fazê-las funcionar 24 horas por dia.
    O deficit de profissionais é muito grande. Desconheço os números de São Paulo, mas no Rio de Janeiro não chegamos a 5.000 profissionais para o estado inteiro. É, temos muito caminho pela frente até atingir a condição de país desenvolvido.
    Como alguém comentou antes, não se resolve um problema tão sério apenas criando leis. É preciso muito mais. Que tal você encabeçar um campanha para que a molecada se interesse em estudar biblioteconomia? Em 3 anos já teríamos pelo menos um número bem razoável de profissionais no mercado. O salário? Bem, isto é outra história (com h).

  22. OBRIGADO PELO POST, SABINE.
    Sou bibliotecário e defendo a ideia de que precisamos de mais espaços destinados à leitura. Ñão basta ser apenas espaços. Tem que ter estrutura, tem que qualidade.
    Os comentários maldosos representam a resistência às mudanças, ao novo e a educação da sociedade brasileira. Talvez de alguém que esteja feliz com isso.
    Um abraço,
    Donizete!!!

  23. Adorei o texto, e acredito que outubro/2014 seja uma ótima oportunidade para começar a mudar esta realidade.

  24. Passo por situação semelhante em Fortaleza.
    Estudo para concurso há um tempo e as bibliotecas estão cada vez mais raras.
    As bibliotecas da maioria das faculdades privadas possuem acesso restrito. As bibliotecas públicas (estadual e municipal) se encontram em situação precária, há muito tempo necessitando de cuidados básicos (acervo, banheiros, parte elétrica, ar condicionado, internet, elevadores, cadeiras e mesas…). A biblioteca federal (que eu estava frequentando por último), encontra-se fechada por tempo indeterminado, em decorrência da greve dos servidores.
    As outras questões levantadas por você, bibliotecas abertas nos finais de semana e madrugada, também são lamentadas por mim. Só conheço uma biblioteca em Fortaleza que abria aos domingos (não abre mais) e nunca ouvi falar de nenhuma que abrisse na madrugada.
    Triste.

  25. Em Minas Gerais parece que há uma biblioteca 24×7. Em sampa deveria haver pelo menos uma desse tipo na USP, mas eles nem deixam entrar no campus aos domingos. Fizeram uma biblioteca brasiliana ao custo de bilhões, mas uma solução simples dessa que ajudaria a muitos, não há.

    Tbm vejo mta gente falando de bibliotecários. Mas, creio que falta mais é um bom espaço, com silêncio, conforto e segurança. Não seriam necessários bibliotecários, basta não emprestar livros nesse horário. Parece que no BR, tudo é prejudicado por causa de leis corporativas e sindicalismo. Daqui a pouco vão dizer que qualquer espaço para leitura precisa de um bibliotecário ganhando 5 mil, um bombeiro, um professor de história e um professor de meditação, inviabilizando qualquer projeto mais inclusivo.

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